Deixar de fazer o bem é uma forma de fazer o mal

Publico minha redação para o processo seletivo do CPAJ – Centro de Pós-graduação Andrew Jumper. Mestado em divindade – Teologia Sistemática.

Embasamento para o tema:
“Então, disse Jesus a eles: Que vos parece? É lícito, no sábado, fazer o bem ou o mal? Salvar a vida ou deixá-la perecer? (Lc 6.9 – ARA).
“Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?” (Lc 6.9 – ARC).
“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando” (Tg 4.17 –ARA).
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17 – ARC).

Quando uma pessoa não faz algo a que seria obrigada ou para o que teria condições, geralmente a chamam de omissa. Em alguns casos, a omissão é crime e está sempre ligada a uma ação negativa. Ser omisso e deixar de fazer o bem é uma forma de fazer o mal.

Fazer o mal é algo que está arraigado no coração humano. De acordo com Gênesis 2.16-17 e 3.1-6, o primeiro casal, dotado de liberdade de vontade, desobedeceu a Deus, rebelando-se contra o Criador e abrindo as portas para a entrada da culpa e penalidades decorrentes do pecado, afetando não apenas a humanidade, mas também todo o universo. Dessa forma, todos aqueles que nasceram depois de Adão são depravados moralmente. Portanto, fazer o mal é algo inerente ao ser humano: quando este deixa de fazer o bem, apenas age de acordo com a sua natureza. O homem que foi regenerado por Cristo deve lutar contra essa natureza pecaminosa, pois quando ele deixa de fazer o bem, e age de acordo com ela, ele não demonstra sua eleição.

Cristo é, com certeza, nosso maior exemplo de ação. Ele jamais foi omisso diante da oportunidade de fazer o bem. Ao curar o homem da mão ressequida no sábado (Lc 6.6-11) ele demonstrou bondade diante das tradições. Além disso, seus ensinos estavam sempre recheados de exemplos que estimulavam seus ouvintes a praticarem o bem. A parábola do Bom Samaritano é clássica no ensino da bondade/omissão: o mais próximo do homem ferido foi aquele que usou de misericórdia para com ele – e nós devemos proceder de igual modo. E o que dizer da cruz? Não há exemplo maior da bondade de Cristo que morreu por aqueles que não eram bons, nem justos, e sim pecadores (Rm 5.8). Deixar de fazer o bem é fazer o mal, pois quem assim procede, tapa os ouvidos aos ensinos deixados por Cristo, e deixa de seguir seu exemplo de bondade e misericórdia. Tal atitude negligencia perante sua Palavra, e tudo que ele fez e demonstrou em seu ministério aqui na terra.

Deixar de fazer o bem é ainda uma forma de fazer o mal, pois quem se omite diante de tal oportunidade, deixa de cumprir as ordenanças da criação, ou seja, os mandados espiritual, social e cultural. O mandado espiritual, porque quebra a obediência à Escritura como já foi exposto acima, prejudicando a relação com Deus; o mandado social, que é aquele que caracteriza a relação com o próximo, fica sem sentido, pois como cumpri-lo assumindo uma postura omissa em ajudar o próximo? E, por último, o mandado cultural, que trata de imprimir a marca de Cristo na cultura, fica também com o seu cumprimento prejudicado. No contexto político e social em que o nosso país se encontra, os cristãos precisam ser reconhecidos como aqueles cujas atitudes e práticas são diferentes, e que influenciam as pessoas e circunstâncias à sua volta. As notícias que os meios de comunicação transmitem são cada vez mais destituídas de bondade, algumas capazes de chocar até mesmo os mais insensíveis. Como demonstrar a diferença que o Evangelho pode fazer nesse mundo mau? Cumprindo as ordenanças da criação.

É preciso atentar para o fato de que o ser humano é totalmente dependente da graça divina e sozinho jamais poderá fazer o bem. A menos que a bondade do próprio Deus inunde seu coração com graça e com amor é que ele poderá responder a esses ensinos e cumprir cada uma das ordenanças. Seu amor e seus atos de bondade para com o próximo são uma resposta ao amor e à bondade de Deus.
Portanto, fazer o bem não é opcional para o cristão. Ao deixar de fazê-lo, ele está fazendo o mal, está sendo omisso: Ao fazê-lo ele demonstra que ama a Deus e cumpre sua Palavra.

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9 Comentários on “Deixar de fazer o bem é uma forma de fazer o mal”

  1. Jana diz:

    Ivonete,
    poxa, que post mais bonito. super edificante!
    =*

  2. Muito bom seu texto, cara Ivonete. Realmente pesa sobre todos nós a responsabilidade, o dever de praticar o bem. Como você bem enfatizou, o praticar o bem não somente ajuda nosso proximo como também demostra nosso prazer em cumprir a vontade de Deus, tendo Jesus como nosso grande exemplo. Infelizmente todos nós somos carentes de ajuda. Uns de um tipo de ajuda outros de outro. Não conhecemos ninguem que não precise de alguem. Neste mundo, estamos todos no mesmo barco. Este pessamento também deveria nos estimular ao amor ao proximo. Todo ser humano nesta terra é um peregrino; a vida é tão curta, como um vapor que logo desvanece. Cf. Tg 4:14. Olhamos para o nosso proximo, quão bom poder vê-lo sorrindo, feliz; quão ruim quando o vemos chorando, infeliz. Temos um Deus no céu, que ele cuide de todos nós e que nós possamos nos curdar uns dos outros aqui, com a ajuda de Deus.

    Obrigado pelo texto Ivonete, texto biblico, simples e direto, obrigado por nos admoestar, por nos lembrar, pois realmente vivemos em uma época destituida, geralmente falado, de amor ao proximo. E nós como “cristãos” precisamos fazer jus a este nome. Grande abraço.

  3. Daniel diz:

    Edificante!

    Omissão certamente é um pecado. Tanto quando nos omitimos em fazer o bem, quando nos omitimos em contar a verdade.

    Tenho certeza que muitas pessoas – incluindo eu, e possivelmente você – já omitiram a verdade ou por motivos egoístas, ou para não causar conflitos diretos e indiretos.

    “Não menti, apenas não contei a verdade”. Já escutei muito essa frase… e não foram ocasiões felizes.

    Gostei muito do seu post. Além de edificante foi bastante instrutivo. E só me faz ter mais certeza de que Deus nos deixou claro como devemos levar uma vida reta e íntegra.

    Bíblia: O manual do ser humano e a voz de Deus. Sempre ví assim.

    Abraços e sucesso,

    Daniel

  4. Obrigada Flávio.
    Ter você em meu blog é uma enorme satisfação.

    Daniel, obrigada também. Você a cada dia me surpreende mais ein?

    Abraços.

  5. yann diz:

    WOw, gostei professora, essa aí foi Mto boa ;)

  6. Jonathas diz:

    Olá Ivonete….

    Gostei do texto, especialmente da argumentação apresentada em torno da teologia do pacto. Não há como afastar o cumprimento das ordenanças da criação do “fazer o bem”.

    Apenas como sugestão bem simplória e intrometida, caso ainda não tenha submetido o texto para avaliação, achei um pouco confusa a primeira frase: “Diz-se…” ….

    Ah, outra coisa, a estratégia para promover a movimentação do blog é super válida e eficiente…. a utilização desta ferramenta torna-se cada vez mais necessária…. parabéns pela iniciativa.

    Abraços

  7. Oi Jonathas,

    O Texto já foi submetido a avaliação, inclusive fui aprovada no processo seletivo.
    Mas valeu pela visita e valeu pela sugestão.
    Abração!

  8. Jonathas diz:

    Eita!

    Que bom Ivonete =) … fico feliz. Já pensei em cursar este mestrado também, mas enfim, preferi deixar para depois.

    Bom resto de semana…. abraço!

  9. ISABEL diz:

    Realmente sua redação é muito válida p/ a vida dos cristãos de hoje.
    Sinto que o mundo esta nessa situação de aflição, angustia e desentendimento c/ o proximo, pq nós cristãos não pecamos pela nossa omissão de não fazermos aquilo que o Espirito Santo fala diariamente em nossos corações, ou seja, ajudarmos direta ou indiretamente aqueles que precisam de nos, dentro de nossas condições.
    Afinal somos abençoados por Deus, para abençoarmos outras pessoas e essas mesmas pessoas, deveriam passar essa bençao p/ outras e assim sucessivamente. Se todos cumprissem esse mandamento o circulo do odio seria desfeito.
    Que Deus tenha misericordia de nossas vidas em Cristo Jesus!


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