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Eu desejo…

O que a senhora deseja? Perguntou-me a moça com um sorriso no rosto. Apesar de pedir um Sub Melt com bastante azeite, orégano, molho levemente picante e coca de 500ml. Fiquei pensando em outras respostas que gostaria de dar.

mafalda-pensando1Eu desejo tanta coisa…

Eu desejo que as pessoas levem o cristianismo mais a sério e que eu mesma leve mais a sério.

Eu desejo uma avivamento para minha vida e para a vida da minha igreja.

Eu desejo que as pessoas que amo e que estão doentes, seja fisicamente, emocionalmente ou espiritualmente, se curem.

Eu desejo um abraço de quem tá distante.

Eu desejo ficar olhando para o mar.

Eu desejo ouvir de novo o sorriso de alguém querido que morreu.

Eu desejo sentar debaixo de uma árvore e ficar pensando na vida. 

Eu desejo comer um caldo da cantina da Fac.

Eu desejo “uma casa no campo com meus livros, meus discos e nada mais”.

Eu desejo ir pra casa da Nat em Rio Verde-Go.

Eu desejo ser mãe. Acordar, levar os filhos pra escola, ajudar na lição, preparar almoço, etc…

Eu desejo morar em uma biblioteca.

Eu desejo um dia nublado.

Eu desejo que o que eu ensino aos meus alunos seja praticado.

Eu desejo ir para a África trabalhar com projetos sociais.

Eu desejo acordar tarde todo dia.

Eu desejo passar um tempo entre os índios.

Eu desejo um copo de vinho e uma boa conversa.

Eu desejo tomar banho de rio.

Eu desejo deitar no colo da minha mãe.

Eu desejo escrever um livro.

Eu desejo ajudar meus amigos em TUDO que eles precisam.

Eu desejo uma educação diferente para o Brasil.

Eu desejo ouvir uma música triste e chorar.

Eu desejo ir à livraria.

Eu desejo ir para o churrasquinho com o Flávio, Thays, Simone e Nurimar e rir bastante.

Eu desejo ter mais tempo para estudar.

Eu desejo estudar gastronomia.

Eu desejo estudar tanta coisa.

Eu desejo viajar tanto.

Eu desejo ter uma casa, com uma cozinha e uma biblioteca enooormes.

Eu desejo assistir um filme em dia frio com alguém que amo.

Eu desejo um café expresso bem quentinho com um pedaço de chocolate meio amargo.

Eu desejo rever algumas pessoas.

Eu desejo…

Achei melhor para de desejar antes que o meu único desejo atendido no momento (o sanduíche) esfriasse…

Velho, Triste e Bonito

Esse texto é um pouco “velho”,  já faz algum tempo que o escrevi, mas achei interessante iniciar as novas postagens com ele. É triste mas é bonito.

No Canto do Desencanto Encontramos o Encanto

Tem dias que a gente acorda assim, por mais que não saibamos o motivo (mas ele existe), paira em nosso coração aquela in(certeza) de que as coisas não serão exatamente como parecem ser. É como se pintássemos uma parede de branco e ficasse sempre aquela manchinha minúscula incomodando, ou como aquele quadro que por mais que ajeitemos daqui e ali está sempre torto.
Então a gente pára pra pensar na vida, em tudo que viveu até aqui, e no quanto é horrível analisar o passado sem estar dentro dele pra de alguma forma tentar mudar a vida, o destino, as pessoas… E percebemos que como um mostro feroz ela (a vida) nos enrrolou e nos atirou em um lugar, um canto.
Um café, um filme, uma conversa, nada tira de nós, essa angustia, esse peso, essa aberração melancólica que toma conta, invade sem bater, sem pedir licença.
Causa medo, causa febre, causa espanto, causa a dor e o desejo de ficar no canto. Querendo ou não ele é a fonte do encanto, mesmo que seja pra curtir o nosso desencanto.
É nele que nos encontramos com a ilusão dos sonhos e com o gosto amargo da realidade, onde as palavras tem dois pesos, duas medidas, onde a voz antes harmônica é ouvida com confusão e desespero.
As lembranças vem em rápidos flashs todos misturados, procurando a razão de estarem ali, sem encontrar, e nessa hora desejamos morte, ou ser pelo menos como aquele bilhete que guardamos não sei onde, ou como aquela água que várias vezes foi compartilhada no mesmo copo, mas não engolida e sim esparramada, pois na verdade não estamos muito diferentes, estamos esparramados, sem esperança nenhuma de que nos juntem novamente em um recipiente decente, pois o último era de vidro e se quebrou.
Mas nem tudo são dores, o canto mesmo num momento de desencanto é encanto, o encanto das ilusões perdidas, do alívio mesmo temporário e enganador dos nossos anseios. Nossos olhos ficam vermelhos, nossa pele fica pálida, o sono toma conta das nossas pálpebras, nossa temperatura sobe, as pessoas se desesperam, achando que vamos morrer mas lá no fundinho estamos arrancamos um cheiro, um sorriso, uma sensação inexplicável, leve, mas segura, firme, o vento nos nossos cabelos, pelo menos por aquele momento.
O canto mostra quem realmente somos, figuras fracas querendo ser fortes, que não conseguem explicar o que sentem, que são assim diferentes, talvez por não ser maduros, e “enfrentar tudo de cabeça erguida”, talvez por chorar, sangrar, fazer sangria, talvez
por não escrever belos textos, gostar de literatura, ou simplesmente por não falar mil línguas, ou viajar o mundo em um navio. Por não desfilar graça, beleza, simpatia. Por não ser aquilo que se espera, pois não gostamos de esperar, desesperar combina mais com nosso mundo, com a nossa história. Somos condenáveis, por querer calar, por não saber explicar, porque querer ficar aqui no canto, no nosso canto, que é tão bom e ao mesmo tempo tão ruim, onde tentamos desesperadamente remover a mancha, acertar o quadro, juntar a água, que a essa altura já evaporou, e colocar em um recipiente.
E por mais que digam que a tempestade vai passar, ou que o “curandeiro tempo” vai tudo resolver, a melhor coisa a fazer é esperar, mas sem tentar explicar, sem falar, sem compartilhar, pois nos momentos de maiores angústias, não dá pra contar com a ajuda in(explicável) humana.
Sentar, chorar e aguardar, mas sempre aqui no canto.


Ivonete silva, estudante de teologia e pedagogia que tem como passatempos favoritos o gosto por livros, cinema, música, arte e tirinhas.

Sigam-me os bons

  • "Pela manhã o teu sorriso, aquece o meu coração" 3 days ago