Mudanças Radicais Para 2011

Não, esse não é um post de promessas de ano novo. Ultimamente eu não tenho tido condições de prometer muita coisa. :p

Os anos de 2008, 2009 e 2010 foram muito difíceis pra mim, principalmente no que diz respeito ao ministério. Apesar das dificuldades, que acabaram afetando também a minha saúde, eu cresci bastante. Muitas vezes a gente não consegue compreender os decretos divinos e esses anos de dificuldades agora antecedem um ano de mudanças radicais. Aliás, mudança, têm sido meu sobrenome nos últimos meses.

Como alguns de vocês já sabem eu irei me casar no fim do mês, não será apenas uma mudança de estado civil, mas será uma mudança de estado. Estarei mudando do Distrito Federal para o Maranhão, na cidade de São Luis, onde reside o meu noivo. Essa mudança de estado, agrega outras mudanças, como a de igreja, da Igreja Presbiteriana Central do Gama, onde congrego a mais de 12 anos, para a Igreja Presbiteriana do Renascença, onde eu e o meu futuro marido ajudaremos no trabalho. Mudanças de casa, de emprego e ainda a distância física dos amigos e da família completam o meu pacote de mudanças radicais para 2011.

Por favor não estranhem e não me abandonem se eu aparecer pouco por aqui. É devido a todo esse contexto. Em breve as postagens voltam a ser regulares, agora, escritas da Ilha do Amor. Peço também que estejam orando por mim diante dessas mudanças. Sou sincera em dizer que não estou preparada para nenhuma delas. Sei que é suficiente saber que Deus cuida de mim, e é nessa confiança que sigo.


Dolorosas Leituras, Importantes Lições

Nos últimos meses desse ano que está acabando, Powlison, Welch e Tripp, me fizeram companhia, por meio dos seus escritos. Juntos, eles me foram melhores do que as terapias receitadas pelo médico.

Com eles tenho aprendido verdades ao meu respeito e sobre a maneira como lido com as pessoas ao meu redor.  Tem sido um processo doloroso, no qual constantemente meu ego se sente profundamente desconfortável com algumas descobertas. Tento permanecer firme, pois sei que todo esse processo ajuda-me em meu objetivo de vida: caminhar humildemente, em silêncio, amando a Deus e servindo ao próximo. Embora, algumas pessoas nem mesmo tenham um objetivo de vida definido, eu procuro manter meu foco nesse, dando um passo de cada vez.

Dentre as muitas coisas que tenho aprendido com esses autores-amigos, destaco algumas:

  • Que o nosso pior inimigo está dentro de nós. Isso vem sendo dito sempre, mas poucas vezes nos damos conta dessa verdade.
  • O que as pessoas pensam, sentem e falam a respeito de nós não pode tomar uma proporção maior nem menor do que deve.
  • Somos especialistas em mascarar nossos defeitos e dificuldades.
  • Somos especialistas em nos esconder debaixo de nossas “boas” intenções.
  • Somos muito deficientes para ajudar as pessoas, mas é uma covardia se esconder atrás disso.
  • Aquele que ajuda, necessita de ajuda. Constantemente.
  • Na nossa cabeça, sempre merecemos alguma coisa.
  • “A palavra branda, desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”.
  • Há uma diferença grande entre conhecimento e mudança de atitude.
  • Precisamos investir mais tempo em ouvir, geralmente nos preocupamos mais em falar.
  • “Aonde está o teu tesouro, aí está teu coração.”
  • Aquilo que controla seu coração determinará o seu comportamento.
  • Nas palavras de Tripp: “Somos essencialmente incapazes de fazer o que é certo.”

Uma olhada ao redor da seção de mais vendidos numa livraria, mostra que aprendizados como esses acima não fazem sucesso. É escolher, entre leituras adocicadas e mascaradas sobre felicidade e autorrealização, ou encarar quem realmente somos.


Diga Não Porque Você Já Disse Sim

Sei que muitos me atirarão pedras depois desse post, porém não poderia deixar de publicá-lo.

Eu recebi esse vídeo em maio desse ano, e ele falou muito ao meu coração. Ele resgatou verdades bíblicas, que pelo pecado e pela idolatria do meu coração estavam apagadas. Decidi colocar o princípio em prática, durante todo o restante do ano, e algumas coisas melhoraram muito do ponto de vista físico, emocional e relacional.

Gostaria de dizer que continuo sendo cristã, reformada, conservadora, tradicional, cessacionista, etc, etc, etc. :p. Deixo claro que não concordo com alguns pressupostos de Rob Bell e não nego os perigos que a Igreja Emergente traz ao Cristianismo Histórico. Porém, toda verdade é Verdade de Deus, então seja edificado e diga não, porque você já disse sim.

Ps. Desconsiderem os erros de legenda.



O Ídolo da Cerimônia

Sem querer parecer uma pessoa estranha, sempre que vou à casamentos, algo realmente me incomoda, a cerimônia.  Já tem um tempinho que estou com vontade de escrever sobre cerimônias de casamento.
O que de fato me incomoda, é o peso que alguns casais dão aos detalhes cerimoniais (decoração, foto, filmagem, vestimentas, etc), ao ponto de desconsiderarem principios litúrgicos bíblicos e extremamentes importantes.
Por trás de todo esse foco nos detalhes da cerimônia, muitos alegam ser esse o “dia do seu sonho”, o “dia mais feliz de suas vidas”. Não estou aqui para banalizar os sonhos de ninguém. Creio que o matrimônio é uma bênção divina, e tem sua importância na vida do homem criado à imagem e semelhança de Deus. Porém acho interessante checar nossas motivações, checar o mais profundo do nosso coração e verificar se, por trás dessa preocupação exagerada com o  cerimonial, há algum ídolo, algo que abrigamos sem considerar alguns princípios.
O primeiro deles é que, infelizmente, nossa visão da cerimônia de casamento ainda é muito romanista. Na Igreja Católica Romana, o casamento é um sacramento. Na Igreja Protestante, especialmente na Igreja Presbiteriana do Brasil, o casamento não é sacramento, é graça comum. Nesse sentido, não há “casamento religioso”, a cerimônia que acontece na Igreja é chamada Bênção Matrimonial. É um culto, agradecendo a Deus pelo matrimônio que já foi celebrado pelo Estado. Isso acontece mesmo quando a cerimônia é religiosa com efeito civil. Segundo o Manual Litúrgico da IPB, “esta solenidade [Bênção Matrimonial] nunca se realizará antes de ser celebrado o casamento civil” e se for religioso com efeito civil, os documentos devem ser assinados pelos noivos e testemunhas, “esse ato precederá sempre a cerimônia religiosa“.
Seguindo essa linha, se realizamos um culto em agradecimento a Deus pelo matrimônio, devemos ter cuidado para que as nossas cerimônias não sejam equivocadas.
Observemos o que diz o Manual Presbiteriano, que está totalmente de acordo com os Símbolos de Fé (Confissão e catecismos de Westminster), sobre o culto público:
“O culto público é um ato religioso, através do qual o povo de Deus adora ao Senhor, entrando em comunhão com ele, fazendo-lhe confissão de pecados e buscando, pela mediação de Jesus Cristo, o perdão, a santificação da vida e o crescimento espiritual. É uma ocasião oportuna para a proclamação da mensagem redentora do Evangelho de Cristo e para doutrinação e congraçamento dos crentes. O culto público consta ordinariamente de leitura da Palavra de Deus, pregação, cânticos sagrados, orações e ofertas. (Art. 7 e 8 dos Princípios de Liturgia da IPB)
Ora, se é culto, a Palavra deve ocupar lugar central. As músicas tocadas devem ser cânticos sagrados, e digo isso independente da cerimônia ocorrer no templo ou em chácaras etc. Isso significa que a noiva não pode entrar ao som de Roberto Carlos ou  Kenny G, pois a finalidade da música no culto é apontar para a Palavra pregada.
Outro detalhe importante é que o culto está sendo dirigido a Deus, o brilho é de Cristo, e não da noiva que entra radiante com seu vestido branco, o perfurme dele deve está mais evidente do que o das flores da decoração. Tudo que ocupa o lugar dele é um ídolo.
É preciso tomar cuidado para que a preocupação com os detalhes da cerimônia apoteótica, não nos faça esquecer o significado do casamento: a representação do mistério entre Cristo e a Igreja.
Eu poderia me delongar falando ainda das implicações da administração financeira do casal nisso tudo. Conheço casais que iniciam sua vida a dois com dívidas gigantescas provocadas pela cerimônia do casamento, essa é uma questão que também deve ser considerada. Porém, independente de ter condições financeiras ou não, a Bênção Matrimonial deve prezar pela simplicidade, para que Cristo e o Evangelho sejam proclamados por meio da vida do casal que se apresenta diante de Deus.
Gosto muito das palavras de Stephen Kanitz, em seu artigo: A Beleza dos Casamentos, e encerro com elas. Ao falar sobre o que as pessoas comentavam de sua cerimônia, disse: “Foi singela, bonita e espiritual.” Acho que é isso que eu quero que as pessoas digam da minha cerimônia de casamento.

Nem Toda Brasileira é Bunda, Nem Toda Mulher é Salão: Uma Lição

Escrevi esse texto em 2005, na época da minha formatura no curso de teologia. Ele foi publicado no meu antigo blog. Como o aprendizado das lições permanecem, resolvi publicar de novo.

Atrevi-me a escrever mesmo sabendo que posso ser apedrejada pela maioria das mulheres deixando registrado aqui este desabafo, e uma pequena lição.

O dia de ontem foi marcado pela correria característica dos dias de dezembro, culminando com minha formatura às 20h.

Pensei, no início da semana, que já que tinha decidido participar da formatura, que por sinal foi ótima, não podia ir de qualquer jeito, (calça jeans, camiseta, bandana e All Star) mas os dias foram passando e já era sexta-feira quase 10 da manhã eu não tinha visto nenhum detalhe de roupa, penteado e etc.

Algumas pessoas amedrontaram-me dizendo que provavelmente eu não iria encontrar mais vaga em nenhum salão, que eu era doida, que eu tinha que tirado um dia para resolver isso e blá blá. Realmente eu achei que algumas horas fossem suficientes. Afinal de contas eu tava apenas me formando.

Bem, depois de três tentativas encontrei hora em um salão. Cheguei atrasada 30m e comecei a transformação. Sem brincadeira nenhuma cheguei a ficar cerca de duas horas debaixo de um secador. (fora o tempo da escova, penteado e maquiagem). Envolvida pelas músicas (melosas) e pelo titi do ambiente não pude deixar de fazer algumas reflexões, enquanto meus miolos cozinhavam junto com a secagem do cabelo.

A primeira delas veio depois de uma pergunta que fiz a mocinha que gentilmente lixava minhas unhas.

“- Tem gente que vem tooooda semana aqui?”

“- Sim! Tem clientes que já tem um horário fixo semanal reservado”.

“- E elas passam cerca de quatro horas aqui?”

“- Sim! as vezes até mais!”

Fiquei pensando em quanta coisa eu poderia fazer em três ou quatro horas, ou melhor naquelas exatas três horas, além de ouvir falar da atuação da Glória Pires na novela das 8h, ficar nervosa com a menina ao meu lado que ia casar e  ligava de cinco em cinco minutos para conferir os detalhes da cerimônia, ou bater com a cabeça na parede agoniada com a conversa embolada de tantas mulheres juntas que se produziam, e falavam de tantos assuntos diferentes. Pensei até em continuar a leitura de um livro mais não ia dar, porque minhas unhas estavam sendo pintadas. Então eu comecei a pensar em como seria minha vida, se eu tivesse que passar quatro horas toda semana ali, e em um desespero crescente soltei um:

“- Eu detesto salão!”

A noivinha que estava ao meu lado, disse:

“- Nossa se eu pudesse, eu vinha todo sábado e passava o dia! É bom demais! Qual mulher não gosta?”

Tentei lembrar da música da Rita Lee, mas pensei que talvez eu tivesse mesmo algum problema, ou o que restava do meus neurônios haviam sido consumidos pelo calor do secador. Como alguém passaria o dia inteiro naquela tortura? E pior, quem teria o dia inteiro disponível para empregar naquilo tudo, quando poderia fazer milhares de coisas mais interessantes? E ainda, quem teria tanto dinheiro para isso? Nem quis pensar na questão financeira, afinal de contas eu saberia que tudo o que tava sendo feito no meu cabelo e no meu rosto iria durar apenas um noite. Evitei pensar no que eu poderia comprar com esse dinheiro para não entrar em depressão.

Conclui que talvez eu não fosse mulher, ao pensar que eu preferia em um sábado, mil vezes estar em um acampamento  comendo uma comidinha mateira, tomando banho de rio, ou estar em casa, lendo um livro, assistindo um filme, navegando na internet, música, cinema, pizza, casa de amigos, e até mesmo dormir, sei lá uma infinidade de coisas que se pode fazer e que são infinitamente mais prazeirosas do que morar em um salão.

Devo esclarecer que eu gosto de unhas limpas, de cabelo arrumado, corpo depilado, sobrancelha certinha, isso faz parte até da higiene nossa de cada dia, mas acho inconcebível um ser humano sentir prazer em passar o dia inteiro fazendo essas coisas, e procurar compulsivamente mante-se com a cara rebocada em cima de um salto, quando poderia ser prático e tentar fazer as coisas básicas e indispensáveis em poucas horas, e aproveitar a vida!

Depois desconclui pensando que isso não era inconcebível, mas que Deus é muito gracioso e criativo! Como Ele pode ter criado tantas pessoas diferentes!

Para algumas mulheres, e eu diria que pra maioria delas, essa é uma meneira de aproveitar a vida! (pobre de mim ao achar que meus prazeres resumem a forma de aproveitar a vida!) É assim que elas relaxam da correia do trabalho, dos afazeres domésticos, das pressões familiares, e elas se sentem bem em um salão, desfrutando de cada minuto ao cuidarem da sua pele, corpo e cabelo, fazendo daquele momento um eterno prazer.

E apesar de não me enquadrar na categoria das que dão a vida por um dia no salão, não tenho nenhum direito de criticar, ou dizer que são piores ou melhores do que eu apenas porque temos gostos e prazeres diferentes. O que Deus espera de nós é que respeitemos uns aos outros e que até nas nossas diferenças magnifiquemos o seu nome, respeitando o próximo e reconhecendo a sua soberania e glória.

Ai finalmente conclui que sou pó, assim como aquele que a moça passava na minha face, quase finalizando a maquiagem. E quando me olhei no espelho, louvei a Deus por ter me criado, e por ter criado tantas pessoas, e supliquei que ele me ensinasse dia a dia, a respeitar as pessoas, e a amá-las como Cristo amou independente de todas as diferenças, e que através desse amor vidas pudessem se render aos pés dele, pois só assim eu realmente estararia cumprindo a missão que ele me deu.

Ivonete Silva, feliz pelas diferenças e triste por ter jogado R$125,00 ralo abaixo no banho matinal.


Ensino Religioso sem ser Religioso

No dia 21, saiu uma matéria no site da UnB – Universidade de Brasília, sobre a pesquisa da professora Débora Diniz, que avaliou cerca de 25 livros de Ensino Religioso e apresentou um estudo com o título: Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil.
Segundo a análise da professora, a maioria dos livros de ER estimula a homofobia, pois trata o homossexualismo como desvio moral, o preconceito, e “catequisa” os alunos na religião cristã.
A professora criticou ainda o fato da “imagem de Jesus aparecer cerca de 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo (Calvino nem mesmo é citado).”
Por último, Débora Diniz observou ainda a tendência religiosa das editoras dos livros, questionando o modelo de Ensino Religioso no país, afirmando que se a religião tem de ser tratada em sala de aula, deve ser de maneira diversificada, tendo em vista o estado laico.
Sou professora de Ensino Religioso, e lamentei não ter ido ao lançamento da pesquisa da Débora Diniz, pois essa notícia me faz pensar em uma série de coisas. Pontuo aqui algumas delas.
1. A ingenuidade, não sei bem se essa seria a palavra correta, desses pesquisadores em um material de Ensino Religioso “neutro”, ou para usar suas palavras, “diversificado”. Ou seja, um material de Ensino Religioso que não fosse religioso. Isso é impossível. Todo homem é um ser religioso. Quem quer que seja que escreva um livro de Ensino Religioso, ou de qualquer outra coisa, irá colocar ali seus pressupostos, suas influências de leitura, ou seja, sua visão de mundo. Segundo Herman Dooyeweerd, a própria afirmação da automia/neutralidade do pensamento é um dogma. Eu sei que soa bonito, pensar em um livro que fale sobre todas as religiões, um livro neutro, um livro baseado na diversidade. Mas esse é um discurso enganoso, porque o próprio fato de se criar um livro baseado em todas as religiões, é porque se acredita que todos os caminhos levam a Deus, e que todas as religiões são verdadeiras e merecem ser estudadas. Isso já é uma crença. Isso já é religioso.
2. Eu sou a favor de que o Cristianismo seja estudado, pronuncio isso, mesmo sabendo que vou receber pedradas dos antropólogos, sociólogos e afins. E digo isso não com empáfia, ou presunção, digo isso por uma razão simples. Os cristãos, em sua maioria, são honestos, nesse aspecto. Se não existe neutralidade, não ficamos lutando ou afirmando existir essa neutralidade, sendo que no nosso próprio coração há pressupostos. Eu os assumo. E acredito que o Cristianismo deva ser ensinado, estudado e praticado, porque não se trata apenas de uma religião, mas de um sistema de vida que integra toda a realidade, inclusive a realidade escolar.
3. Em uma coisa a Professora Débora Diniz está certa. Acho que o Ensino Religioso brasileiro carece de mudanças. Porém, não acho que a criança deve estudar as mais diferentes religiões na escola. Acho que um currículo de Ensino Religioso deve ensinar a criança e o jovem a glorificar a Deus e a servir ao próximo. Simples assim. Como fazer isso? Ensinando a Bíblia, ela é a revelação do próprio Deus, portanto ela é fonte segura para guiar os passos de quem deseja tal objetivo. Muitos vão afirmar que isso é querer catequisar as pessoas, e sugerem que os livros sejam baseados em valores universais. Só que esses “chamados valores universais” são valores cristãos, capital emprestado do Cristianismo. Já que nada é neutro e algo tem de ser ensinado que seja o Cristianismo, já que não existe outro sistema capaz de ver a vida de maneira integral. Vou ainda mais além, o Cristianismo deve ser ensinado nas escolas não apenas no componente curricular de Ensino Religioso, mas também em todas as disciplinas.
4. Não vou nem entrar a fundo no aspecto da homofobia. Deixo claro que condeno a discriminação não só ao homossexual mas a qualquer pessoa. Porém, afirmo que ser contra o homossexualismo é muito diferente de ser homofóbico. E se existe uma luta pela diversidade, porque não posso expressar minha opinião? Porque tenho de ser a favor do homossexualismo? A neutralidade-diversidade-e-afins é um mito para aqueles que a defendem, pois não podem exercê-la!
5. Muito lindo dizer que o estado brasileiro é laico. Mas até aonde vai essa neutralidade? Se o estado é laico porque tenho de aprender espiritismo nas novelas globais? Por que que ainda alguém não se levantou e fez uma pesquisa mostrando que a maioria das novelas ridicularizam os cristãos (católicos e protestantes) e priorizam a doutrina espírita?
Esses dois últimos pontos, fogem da discussão do livro de ER. Só para pensar.
“O Cristianismo não é uma série de verdades no plural, mas é a Verdade escrita com V maiúsculo. É a verdade sobre a realidade total, não apenas para assuntos religiosos. Ele é a propriedade intelectual dessa Verdade total e então vive segundo essa verdade”
(Francis Schaeffer)

Vinte Nove

Hoje, remexendo em alguns arquivos aqui, achei um arquivo com os textos do meu antigo blog. Coisas de 4 ou 5 anos atrás. É uma experiência muito interessante ler algo que escrevemos há alguma tempo.
Nessas postagens eu tinha publicado um poema que vale a pena ser republicado. Foi feito em uma época muito especial e para pessoas muito especiais. A autoria é do meu amigo, Fabrício Costa.
Vinte Nove
Nas fotos ficamos tão estáticos
tudo parece sem vida:
Um sorriso, uma boca aberta,
Contar estrelas, contar histórias
Brincar de rever o passado
E fazer feliz o presente,
Muitos amigos já se foram
Outros tantos virão
E o tempo que esolhe
Pelo calendário
Será para sempre único
Um caminho sem volta
Vamos ver um vídeo
Com gente sorridente
Cansei das fotos,
Cansei de forçar a mente
Com lembranças difíceis
Porque sei que um sorriso
É bem mais que uma boca aberta
Por que o tempo não pára?
Porque uma hora de tristeza
Dura mais que uma hora de alegria?
(Fabrício Costa)

De Cara Nova

Ontem visitei a exposição “Clarice Lispector – A Hora da Estrela”, no CCBB. Inspirada pela poesia e beleza da exposição, eu que já tinha pensado em mudar um pouco o ar do blog, apresento a nova cara.

Aproveito a postagem para explicar a nova imagem do blog. Aos que pensam que eu estou apaixonada, acertaram. Mas não é esse o motivo dos coraçõezinhos. Dentro de uma perspectiva teo-referente o coração é o ponto de concentração de toda a existência humana. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” Provérbios 4.23. Tudo que você faz é um reflexo daquilo que está em seu coração, da raiz religiosa que está presente nele, nada é neutro.

Durante esse ano, a medida em que eu for estudando mais sobre esse assunto, pretendo ir colocando algumas coisas aqui. Por enquanto, aproveite o blog e se estiver em BsB visite a exposição da Clarice.


Eu desejo…

O que a senhora deseja? Perguntou-me a moça com um sorriso no rosto. Apesar de pedir um Sub Melt com bastante azeite, orégano, molho levemente picante e coca de 500ml. Fiquei pensando em outras respostas que gostaria de dar.

mafalda-pensando1Eu desejo tanta coisa…

Eu desejo que as pessoas levem o cristianismo mais a sério e que eu mesma leve mais a sério.

Eu desejo uma avivamento para minha vida e para a vida da minha igreja.

Eu desejo que as pessoas que amo e que estão doentes, seja fisicamente, emocionalmente ou espiritualmente, se curem.

Eu desejo um abraço de quem tá distante.

Eu desejo ficar olhando para o mar.

Eu desejo ouvir de novo o sorriso de alguém querido que morreu.

Eu desejo sentar debaixo de uma árvore e ficar pensando na vida. 

Eu desejo comer um caldo da cantina da Fac.

Eu desejo “uma casa no campo com meus livros, meus discos e nada mais”.

Eu desejo ir pra casa da Nat em Rio Verde-Go.

Eu desejo ser mãe. Acordar, levar os filhos pra escola, ajudar na lição, preparar almoço, etc…

Eu desejo morar em uma biblioteca.

Eu desejo um dia nublado.

Eu desejo que o que eu ensino aos meus alunos seja praticado.

Eu desejo ir para a África trabalhar com projetos sociais.

Eu desejo acordar tarde todo dia.

Eu desejo passar um tempo entre os índios.

Eu desejo um copo de vinho e uma boa conversa.

Eu desejo tomar banho de rio.

Eu desejo deitar no colo da minha mãe.

Eu desejo escrever um livro.

Eu desejo ajudar meus amigos em TUDO que eles precisam.

Eu desejo uma educação diferente para o Brasil.

Eu desejo ouvir uma música triste e chorar.

Eu desejo ir à livraria.

Eu desejo ir para o churrasquinho com o Flávio, Thays, Simone e Nurimar e rir bastante.

Eu desejo ter mais tempo para estudar.

Eu desejo estudar gastronomia.

Eu desejo estudar tanta coisa.

Eu desejo viajar tanto.

Eu desejo ter uma casa, com uma cozinha e uma biblioteca enooormes.

Eu desejo assistir um filme em dia frio com alguém que amo.

Eu desejo um café expresso bem quentinho com um pedaço de chocolate meio amargo.

Eu desejo rever algumas pessoas.

Eu desejo…

Achei melhor para de desejar antes que o meu único desejo atendido no momento (o sanduíche) esfriasse…


Velho, Triste e Bonito

Esse texto é um pouco “velho”,  já faz algum tempo que o escrevi, mas achei interessante iniciar as novas postagens com ele. É triste mas é bonito.

No Canto do Desencanto Encontramos o Encanto

Tem dias que a gente acorda assim, por mais que não saibamos o motivo (mas ele existe), paira em nosso coração aquela in(certeza) de que as coisas não serão exatamente como parecem ser. É como se pintássemos uma parede de branco e ficasse sempre aquela manchinha minúscula incomodando, ou como aquele quadro que por mais que ajeitemos daqui e ali está sempre torto.
Então a gente pára pra pensar na vida, em tudo que viveu até aqui, e no quanto é horrível analisar o passado sem estar dentro dele pra de alguma forma tentar mudar a vida, o destino, as pessoas… E percebemos que como um mostro feroz ela (a vida) nos enrrolou e nos atirou em um lugar, um canto.
Um café, um filme, uma conversa, nada tira de nós, essa angustia, esse peso, essa aberração melancólica que toma conta, invade sem bater, sem pedir licença.
Causa medo, causa febre, causa espanto, causa a dor e o desejo de ficar no canto. Querendo ou não ele é a fonte do encanto, mesmo que seja pra curtir o nosso desencanto.
É nele que nos encontramos com a ilusão dos sonhos e com o gosto amargo da realidade, onde as palavras tem dois pesos, duas medidas, onde a voz antes harmônica é ouvida com confusão e desespero.
As lembranças vem em rápidos flashs todos misturados, procurando a razão de estarem ali, sem encontrar, e nessa hora desejamos morte, ou ser pelo menos como aquele bilhete que guardamos não sei onde, ou como aquela água que várias vezes foi compartilhada no mesmo copo, mas não engolida e sim esparramada, pois na verdade não estamos muito diferentes, estamos esparramados, sem esperança nenhuma de que nos juntem novamente em um recipiente decente, pois o último era de vidro e se quebrou.
Mas nem tudo são dores, o canto mesmo num momento de desencanto é encanto, o encanto das ilusões perdidas, do alívio mesmo temporário e enganador dos nossos anseios. Nossos olhos ficam vermelhos, nossa pele fica pálida, o sono toma conta das nossas pálpebras, nossa temperatura sobe, as pessoas se desesperam, achando que vamos morrer mas lá no fundinho estamos arrancamos um cheiro, um sorriso, uma sensação inexplicável, leve, mas segura, firme, o vento nos nossos cabelos, pelo menos por aquele momento.
O canto mostra quem realmente somos, figuras fracas querendo ser fortes, que não conseguem explicar o que sentem, que são assim diferentes, talvez por não ser maduros, e “enfrentar tudo de cabeça erguida”, talvez por chorar, sangrar, fazer sangria, talvez
por não escrever belos textos, gostar de literatura, ou simplesmente por não falar mil línguas, ou viajar o mundo em um navio. Por não desfilar graça, beleza, simpatia. Por não ser aquilo que se espera, pois não gostamos de esperar, desesperar combina mais com nosso mundo, com a nossa história. Somos condenáveis, por querer calar, por não saber explicar, porque querer ficar aqui no canto, no nosso canto, que é tão bom e ao mesmo tempo tão ruim, onde tentamos desesperadamente remover a mancha, acertar o quadro, juntar a água, que a essa altura já evaporou, e colocar em um recipiente.
E por mais que digam que a tempestade vai passar, ou que o “curandeiro tempo” vai tudo resolver, a melhor coisa a fazer é esperar, mas sem tentar explicar, sem falar, sem compartilhar, pois nos momentos de maiores angústias, não dá pra contar com a ajuda in(explicável) humana.
Sentar, chorar e aguardar, mas sempre aqui no canto.


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