Desejo

Agostinho: Fiz minha oração a Deus.
Razão: Então o que desejas saber?
Agostinho: Tudo que pedi na oração.
Razão: Faze um resumo de tudo.
Agostinho: Desejo conhecer a Deus e a alma (Deum et animam scire cupio).
Razão: Nada mais?
Agostinho: Nada
[...] Razão: Então quado puderes, faze uma oração muito breve e perfeita.
Agostinho: Deus, sempre o mesmo: que eu me conheça a mim mesmo; que eu te conheça.

(Santo Agostinho em Solilóquios)


Frida – Acidez e Docura

Em homenagem ao aniversário da grande pintora Frida Kahlo, republico hoje, um post que já tinha publicado há um tempo atrás.

Se você não assistiu, deveria assistir ao filme “Frida”, de Julie Taymor.

Confesso que antes de assistir ao filme, eu já gostava muito das pinturas de Frida Kahlo e conhecia alguma coisa da sua difícil trajetória de vida. Depois de assistir, fiquei ainda mais fascinada. Frida é uma grande artista. Nascida na cidade de Coyoacan, no México, no dia 06 de julho de 1907, teve uma vida cheia de percalços. Aos seis anos contraiu Paralisia Inantil, e ainda jovem sofreu um acidente de ônibus que trouxe conseqüências para toda sua vida. Frida, além de artista foi militante comunista e símbolo de revolução sexual e cultural.

Há pelo menos dois aspectos que eu admiro em sua vida e em suas pinturas:

1. O primeiro é notório. Apesar das dificuldades, Frida enfrentou muitas barreiras. Foi operada 32 vezes antes de sua morte aos 47 anos. A dor intensa que sentia não impediu muitas de suas conquistas, com uma determinação impressionante, sobrevivendo a doença e ao acidente que a deixou dilacerada.

2. Considerando o que o filme mostra, o plano de Frida nunca foi o de ser uma grande e famosa artista, embora isso tenha vindo como conseqüência de seu talento. Frida pintava para expressar-se. Pura e simplesmente. E apesar do rótulo surrealista que recebe ela mesmo afirmou que pintava sua realidade. “Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor“. Essa realidade é pintada de maneira chocante e ao mesmo tempo de maneira doce. Essa combinação é o que mais me instiga em suas pinturas.

Com certeza há muitos aspectos da vida de Frida que não são biblicamente, e politicamente corretos. E meu objetivo neste post não é analisá-los. Sou uma admiradora de Frida e de sua arte considerando que seu talento é obra da graça comum.

A imagem ao lado é uma de minhas pintura favorita. La Columna Rota (A coluna quebrada), é o quadro que melhor expressa o sofrimento de Frida e a beleza como ela o retratava. Sua coluna quebrada com uma barra de ferro devido ao acidente com o ônibus entrou-lhe pelo pescoço e saiu pela vagina. O colete posto, fazia parte de suas vestimentas, na tentativa de aliviar suas dores e fornecer sustentação aos frágeis ossos. A paisagem desértica ilustando a solidão da dor, e os pregos por todo o corpo nu, seu interminável sofrimento. Do olhar firme, saltam lágrimas. O traço preciso e característico de Frida, traz a pintura a acidez e docura sempre presente em suas obras.

O vídeo abaixo é a minha cena favorita no filme. Frida corta os cabelos, ao som de Chavela Vargas, após saber que foi traída por seu grande amor, Diego Rivera com sua irmã.


Aforismos Schaefferianos

Apresento a minha leitura do livro de Francis Schaeffer, “O Deus que se Revela”, em 9 aforismos. Esse é o útlimo livro de uma trilogia dos livros fundamentais de Schaeffer. Quem sabe não me animo e faço aforismos dos outros dois?
1. Eis os principais dilemas do homem: Ele é um ser finito, mas ao mesmo tempo pessoal, o homem é um ser nobre, há algo grandioso nele, mas ao mesmo tempo ele é cruel. O homem  encontra-se em estado anormal, muito diferente do que foi criado, não apenas no sentido epistemológico, mas no sentido moral.
2. A existência tem uma origem pessoal. Ela não pode partir do nada, nem tampouco ter uma origem impessoal, já que essa última não consegue tratar as pessoalidades do homem.
3. Já dizia Jean Paul Sartre: A questão filosófica básica não é se as coisas não existem e sim que as coisas existem. Um Deus pessoal e infinito é uma necessidade filosófica da metafísica, e tudo se baseia no fato de que ele existe e que deu origem a existência que o revela.
4. Pode parecer presunção ou empáfia, mas não há várias respostas possíveis para a existência. Há somente uma única resposta: a existência de um Deus pessoal e infinito.
5. Deus criou o universo, mas não depende dele. A Trindade é completa, una, diversa e pessoal.
6. O Cristianismo é verdadeiro em relação a TUDO que existe. Você não encontrará respostas fora dele. Pasme! Os homens agem como se o Cristianismo fosse verdadeiro, pois ele está “alinhado” com a experiência de todos os homens.
7. Eis um tapa na cara dos relativistas: Platão afirmava que se não houver absolutos não haverá moral. “O caráter de Deus é a moral absoluta do universo”. Se Deus não existisse não haveria resposta para o problema do mal e para o senso de moral que existe em todo ser humano.
8. Para o homem que não enxerga o absoluto, o universal, a única resposta para o que lhe é particular será o silêncio.
9. Deus existe e não está em silêncio, ele se REVELA! De forma verbal, proposicional e objetiva. Essa é a comunicação do Criador com a criatura. Não busca ser exaustiva, mas é verdadeira e adequada ao ser humano.

Alice in Wonderland

Sim! Eu me assentei nas confortáveis poltronas do cinema, com um saco de pipocas enorme e uma coca-cola de um litro,  para assistir ao novo filme de Tim Burton. Confesso que não gosto muito de assistir à um filme por causa de sua popularidade hollywoodiana, além disso, ouvi várias críticas à obra de Burton. Contudo, mesmo sem ter lido o famoso livro e não saber muita coisa da história da garota Alice, fiquei bastante fascinada com o que vi.
Vale lembrar que o filme de Burton, nao é uma releitura do original Alice no País das Maravilhas, e sim uma espécie de continuidade imaginada pelo cineasta. No filme, Alice retorna ao País das Maravilhas após 9 anos. Já adulta, ela tem a missão de destruir uma criatura horripilante e devolver o poder para a Rainha Branca.
Entre as coisas que podemos observar com atenção no filme é que embora, Alice no País das Maravilhas, tenha uma temática infantil, ele nao é um filme para crianças. Pode estimular o consumo de drogas, Absolum, a sábia lagarta azul, não para de fumar. Além disso, pode estimular também o Bullying escolar, ao tratar o diferente (pessoas obesas como os  irmãos Tweedle, e a Rainha vermelha que possui uma cabeça grande). Uma criança que assiste o filme de Burton, sem o auxílio de uma análise crítica dos pais ou responsáveis, pode, por exemplo, discriminar uma criança com hidrocefalia.

É possível observar os pontos de contatos teorreferentes do filme. O que mais me chamou atenção foi o fato de Alice querer ser livre, controlar seu destino, tomar  suas próprias decisoes, porém tudo o que ia acontecer já estava escrito no Oráculo. É até mesmo quando Alice pensava ter tomado uma decisão como senhora do seu destino (ao se dirigir para o castelo da Rainha Vermelha para salvar o Chapeleiro Maluco), isso foi providencial para que lá ela recuperasse a espada.
Podemos observar ainda o motivo básico religioso criação-queda-redenção bem presente na narrativa. O momento de paz da criação quando Alice tinha visitado o País das Maravilhas há 9 anos atrás. O momento da queda, quando a Rainha Vermelha tomou o poder da Rainha Branca destruindo tudo, esse momento é narrado pelo Chapeleiro Maluco para Alice. A redenção ocorre por meio da figura redentiva de Alice que destrói o Jabberwocky.

Foi destaque por muitos a interpretaçao de Johnny Depp, como o Chapeeiiro Maluco, mas a personagem que achei mais bem representada e incrivelmente interpretada foi a Rainha Vermelha.

Penso que, por enquanto,  é isso. Assistam e teçam seus arrazoados. Eu pretendo assistir novamente.


O Melhor Livro do Ano

Quer ler o melhor livro do ano?

O primeiro livro em português do Herman Dooyeweerd, pai da filosfia reformacional e um dos maiores filósofos cristaos que já existiu.

Clique no link abaixo:


O Crente no Mundo de Deus

PLANTINGA, Cornelius. O Crente no Mundo de Deus: Uma visão cristã da fé, da educação e da vida. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007. 156p.

O livro “O Crente no Mundo de Deus” é uma monografia adaptada de Cornelius Plantinga, quando ele era Deão da capelania do Calvin College. Seu objetivo é mostrar como uma instituição cristã de ensino superior reformada, por meio da tríade criação-queda-redenção,  deve construir uma moldura para que o estudante encaixe seu conhecimento, reconhecendo a visão bíblica de mundo.

No primeiro capítulo, Plantinga discorre sobre o senso do divino presente em cada coração humano,  que se manifesta em tantos outros anseios, é o combustível para a esperança. Que esperança seria essa? Nas palavras de Plantinga: “é aquilo que acreditamos que irá nos salvar, nos complementar”. Essa esperança em toda a Bíblia aponta para a Cristo.

No segundo capítulo, o autor chama a atenção do leitor para pensar na criação considerando as relações entre a Trindade. De forma poética e com muitos exemplos, ele caminha trazendo informações sobre os atributos de Deus demonstrados na criação dos animais, e principalmente do homem com o estabelecimento do mandado cultural, reafirmando a criação como ato da bondade infinita e soberana de um Deus amoroso que decide se relacionar com suas criaturas.

O capítulo sobre a queda, traz informações preciosas sobre a condição humana. O homem não vive como deveria viver porque está corrompido. Isso significa que ele vive em uma condição anormal, destrutiva, totalmente diferente daquela que Deus criou. Ele perverte os dons dados por Deus na criação e polui seus relacionamentos com a idolatria. O coração do homem é o grande culpado dessa corrupção e só não se entrega ao caos devido a graça comum que barra os seus piores ímpetos.

Como afirma o autor “mais antiga que a miséria humana, é a graça [e a misericórdia] de Deus por aqueles que não merecem. A Bíblia inteira é recheada de manifestações da “persistente graça de Deus”. O ponto alto dessas manifestações está no sacrifício de Cristo, sua morte e ressurreição pode nos devolver de volta a paz e a esperança. Mais do que descrever isso, no capítulo quatro, Plantinga nos desafia a “reformar” o nosso pensamento dia a dia pela luz dessa Verdade.

O autor finaliza seu livro falando sobre o estágio final da redenção, a vinda do Reino de Deus. Ele esclarece a amplitude desse conceito, falando sobre o chamado que todos os cristãos possuem para “exercer papel ativo” em todas as esferas desse reino buscando a redenção de cada uma dessas áreas. O livro finaliza expondo o conhecimento, as habilidades e as virtudes que o cristão precisa ter para seguir essa vocação.

Recomendo esse livro, pois o autor fornece a oportunidade de apreender conceitos bíblicos importantes aplicados em exemplos cotidianos simples. Como cristãos e estudantes somos desafiados a ampliar nosso conceito de reino de Deus e a cumprir nossa vocação desenvolvendo o conhecimento, as virtudes e habilidades aprendidas nessa leitura.


MQV Kids

Há cerca de um ano atrás tive a oportunidade de reencontrar a Márcia Barbutti, com quem eu havia trocado algumas ideias, via e-mail, sobre material de Ensino Religioso e Ética. Do encontro saiu a oportunidade de ajudar a escrever o material de Escola Dominical para crianças de 7 e 8 anos (MQV – Mais que Vencedores Kids) da Editora Cultura Cristã. Na época, eu  fiquei muito amedrontada pelo desafio e pela responsabilidade, e confiada na capacitação do alto, aceitei.

Ontem recebi em minha casa o material finalizado e  fiquei muito feliz em ver a graça de Deus manifestada na oportunidade de contribuir com a denominação. Sinto-me muito privilegiada e agradecida a Deus pelo resultado final, que ficou muito bom.

Não poderia deixar de agradecer à algumas pessoas que de forma (in)direta ajudaram nesse trabalho.

A primeira delas é a própria Márcia Barbutti, que tem sido uma bênção para a nossa Editora. Deus tem usado muito a vida dela para aperfeiçoar o currículo infanto-juvenil da Cultura Cristã. Ela me deu a oportunidade e me ajudou, escrevendo a revista junto comigo nessa primeira experiência.

Agradeço também aos “meus pastores”, Misael Nascimento e Allen Porto. Eles me deram força para aceitar o desafio e me ajudaram muito em dúvidas teológicas e sugestão de bibliografia.

Agradeço à querida Neise Orrú. Se hoje eu escrevo minimamente bem, eu devo isso à Neise, que foi minha coordenadora na Escola Presbiteriana, e sempre teve paciência em ler e corrigir algumas coisas que eu escrevo. Essas correções e dicas foram muito úteis na hora de escrever as lições.

Por último, quero dedicar essa revista, em especial, ao meu amigo Hélder Nozima. O motivo é simples, a revista é toda ilustrada num estilo mangá infantil. O Hélder é um pastor japinha que ama mangá, e quando peguei a revista só me lembrei dele. :)

Acredito que em breve o material esteja disponibilizado para venda. Ore pelas igrejas que irão adotar, pela vida das crianças, pelas outras autoras, pela Márcia e pelos ilustradores, que em sua maioria não são cristãos, para que Deus possa usar esse trabalho para honra e glória do seu nome.


O Schop e suas Máximas de Felicidade

schop_novoUltimamente eu ando tendo de ler muitas coisas (pra variar). Por isso, tenho de mesclar as leituras com algo para “relaxar”. Com esse objetivo, semana passada, iniciei a leitura de uma série de livros do Schopenhauer. O primeiro foi  A Arte de ser Feliz. Eu simplesmente amo quem escreve bem, e muito me encanta a maneira como Schop escreve e o recurso que ele usa (aforismos).

Deixo aqui as máximas que achei mais interessantes, algumas de forma parafraseada, de sua Eudemonologia, ou seja, de sua doutrina da felicidade humana.

  • Fazer o que se pode e suportar o que se deve.
  • A coisa mais útil é ficar quieto. Falando o mínimo possível. “Ninguém conservará para si o que ouviu; ninguém revelará apenas o que ouviu”.
  • É importante manter a justa medida em nossa atenção ao presente e ao futuro. Não nos concentrar demais no presente, como os levianos, nem demais no futuro, como os temerosos e apreensivos.
  • É sábio manter-se calmo em todas as adversidades da vida.
  • “É necessário refrear a imaginação em todas as coisas que dizem respeito ao nosso bem-estar e ao nosso mal-estar, às nossas esperanças e aos nossos temores”.
  • “Não permitir a manifestação de grande júbilo ou grande lamento com relação a algum acontecimento, uma vez  que a mutabilidade de todas essas coisas pode transformá-lo completamente de um instante para outro; em vez disso, usufruir sempre o presente da maneira mais serena possível: isso é sabedoria de vida”.
  • “Fixar uma meta para nosso desejos, refrear nossas cobiças, dominar nossa ira, lembrando sempre de que o ser humano pode alcançar apenas uma ínfima parte de tudo que seria desejável, e muitos males são inevitáveis: desse modo, teremos de sustinere et abstinere [suportar e renunciar]. Além disso, mesmo se possuíssemos a máxima riqueza e o máximo poder haveríamos de nos sentir pobres”.
  • “Dos nossos desejos, alguns são naturais e necessários, outros naturais e não necessários, outros ainda, nem naturais, nem necessários, gerados pela vã opinião”. schop_velho
  • Devemos considerar cada acontecimento como necessário. A nota de rodapé diz “Ou melhor, como predestinado de modo tão irrevogável quanto os do romance que se está lendo”.
  • “Daquilo que possuímos fazem parte, principalmente, os amigos“.

Por hora é só, assim que o  Schop me ensinar mais algumas coisinhas, posto por aqui. O rosto dele já velhinho é meio assustador, mas ele era gente boa. :p


A Mulher do Casaco Marrom

casaco_marronA mulher do casaco marrom, é a personagem principal de um dos meus contos favoritos da Clarice Lispector; O Búfalo.

A cor do casado é a cor que expressa o seu humor,  é uma pessoa triste que sofreu uma grande decepção amorosa. Tal decepção a aprisionava e impulsionava em seu coração um ódio que lutava bravamente com o amor que era habitante em sua alma. Esse conflito é notório. A palavra amor/amar aparece aproximadamente 16  (dezeseis) vezes  no texto, bem como a palavra ódio/odiar.

Essa mulher saía para passear em um Jardim Zoológico em um dia de primavera, estação que é fortemente destacada, talvez pela beleza verde e floral representando a vida, que contrastava que com seu estado de espírito que desejava morte. No passeio onde a mulher procurava veemente odiar o ser amado, ela encontra animais enjaulados na mesma situação que ela, enjaulada pelos seus sentimentos.

A mulher interage com alguns animais, buscando nos bichos o impulso primitivo que a conduz ao ódio, estes são: O leão/leoa, a girafa, o hipopótamo, os macacos, o elefante, o camelo, o quati e por último o búfalo.

Com exceção do búfalo, todos esses animais apresentam basicamente características semelhantes, que talvez retratasse sua personalidade engana pelo objeto de seu amor. A girafa é ingênua como uma virgem, quem sabe como ela quando se entregou ao seu amado. O hipopotámo é apático, como ela embebecida por uma paixão avassaladora que a paralizava. Os macacos são felizes e nus, destituídos de qualquer roupagem, sinceros e expôntaneos em seus sentimentos, talvez como ela ao entregar-se ao amor. O elefante, apesar de grande e pesado, é facilmente manipulado e bom, incapaz de fazer o mal, talvez como ela é incapaz de odiar o ser amado. O camelo é paciente, talvez como ela por ter suportado o engano e a dor.

A observação dos bichos é paralizada por um casal de namorados que retrata o amor recíproco, no qual ela não possuía, e uma viagem de montanha-russa onde ela alcança o ápice de sua expressão com um grito de lamento paradoxal com os gritos de alegria dos demais viajantes. Após uma explosão de sentimentos ela sente-se envergonhada como se seus sentimentos mais profundos fossem revelados. A comparação com uma bolsa feminina que cai no meio de todos, ilustra esse fato. A dor sentida neste momento é a mesma de um atropelamento.

O penúltimo bicho é comparado a uma criança também ingênua como ela, crédula em um falso amor.
Após momentos de vertigem a mulher encontra o búfalo. Diferente de todos os animais, ele não perfigurava alguém ingênuo ou manipulável, mas alguém forte, imponente, grande e superior, no qual ela procurava desesperadamente chamar atenção, talvez a mesma atenção que desejava do seu amado, em vão. Sua ameaçadora figura, imbuída de uma placidez animal representava naquele momento a figura do macho, onde ela lutava ferozmente para destruir o objeto de seu ódio.
Contudo a mulher não atinge seu intento e impossibilidade de odiar, sucumbe enfim ao sentimento que a consome.

Se Você Não Leu, Deveria.

POWLISON, David. Ídolos do Coração & Feira das Vaidades: Vida cristã, motivação individual e condicionamento sociológico. Brasília: Refúgio, 1996. 82p.

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O prefácio do livro é feito pelo Rev. Wadislau Martins Gomes, onde ele parte da vivência dos relacionamentos para o drama ético da vida cristã causado pelo pecado. O Rev. Wadislau foca seu argumento no aspecto da motivação já fazendo um breve resumo do livro.

Nos primeiros três capítulos Powlison apresenta a motivação como senhorio do nosso coração. Essa motivação direcionada de forma inadequada transforma-se em idolatria que nada mais é do que o desvio dos nosso desejos. Os “ídolos do nosso coração” não permanecem presos, mas invadem a sociedade, transformando a cultura. Essa “feira de vaidades” produzida pela idolatria dos homens também nos influencia e acaba gerando mais ídolos no nosso coração. Mais do que figuras de pedra ou madeira, esses ídolos são imitações do caráter de Deus, capazes de motivar os pecados e o comportamento das pessoas.

Do capítulo quatro em diante, Powlison continua enfatizando como o fator da idolatria como principal fator motivacional, demonstrando que as psicologias falham em não considerar esse aspecto quando tratam dos anseios e das necessidades do homem e da relação entre o mundo e o coração. No capítulo cinco, o autor mostra por meio de um exemplo a produção de comportamentos e atitudes chamando a atenção para a importância do conselheiro cristão considerar os valores idólatras que estão abrigados no coração de quem estão aconselhando e de como os “moldes idólatras” e a “feira de vaidades” que o cerca interferem nos relacionamentos conjugais e paternos. O autor lembra que essas fontes não justificam os nossos pecados, mas nos ajudam a tratar o coração, a raiz do problema. Ainda falando sobre as raízes, no capítulo seis, os ídolos não são considerados figuras solitárias, mas sempre estão acompanhados por vários outros ídolos em potencial que se desenvolvem ou se fundem com a vivencia sócio-cultural que legitima ou torna normal determinado padrão ou tipo de comportamento.

Os capítulos sete e oito são dedicados para mostrar como a “fé inteligente no evangelho é a resposta final” para a batalha agonizante entre o mundo e o coração regenerado. O cristão caminha em direção a Deus, renovando sua mente em arrependimento e fé, e reconhecendo o senhorio de Cristo, sem “psicologizar” o aconselhamento bíblico, mas fazendo uso do Evangelho como resposta capaz de libertar-nos dos ídolos do nosso coração.

A leitura desse livro foi transformadora. É interessante como temos dificuldade em olhar para o nosso coração e reconhecer os nosso ídolos e de olhar para as pessoas e perceber que por trás da maioria das atitudes, está um ídolo motivando seu comportamento. É triste constatar que mesmo regenerados abrigamos, no lugar onde o amor e a devoção a Deus deveria estar, tantos outros ídolos criados por nós mesmos, ou absorvidos pela cultura que nos cerca. Na tentativa de nos justificar, ou de amenizar nosso erros e de até mesmo aliviar o tratamento do pecado, criamos tantas outras alternativas, tantas psicologias, que nada mais são também do que produto da nossa idolatria O final do livro é confortante depois que nos deparamos com essa realidade. Falta em nós o Evangelho, poderoso, transformador.


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