Arquivo da categoria 'Pedagogia'

15 de Outubro

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.
(Guimarães Rosa)

88465022

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.
(Guimarães Rosa)

Guida-Renato-Suely-Paulo-Francisco-Lima-Therezinha-Carlos-Anderson-Manoel-Zilma-PauloAirton-Leopoldo-Josafá-Willian-Moacir-Marinalva-Jilton-Ester-Doriana-AndersonRios-Enoque-Valdeir-MariaJosé-Sheila-Misael-MarcosAlexandre-Neise-Madalena-Léo-Carolina-Márcia-Marta-Mara-Rosário-Fábio-Juscy-Elna-Maria Izabel-Heitor-Junio-Orlanda-Ugna.

Professor Sustentável

Recebi essa imagem de um colega da escola onde trabalho, o Gustavo. Achei interessante, porque eu sempre comento com alguns colegas a maneira como os pais tratam os professores hoje e como isso prejudica a sociedade.

A pergunta foi  vencedora em um congresso sobre vida sustentável. Abaixo da imagem estavam os seguintes dizeres:

“Todo mundo ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos  filhos…  Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”

ATT00000

Resenha do Livro: Jogos Cooperativos – O Jogo e o Esporte como Exercício de Convivência

Resenha do Livro: Jogos Cooperativos – O Jogo e o Esporte como Exercício de Convivência
Por Ivonete Silva, apaixonada por essa idéia de cooperação e de educação de corpo inteiro. 
BROTTO, Fábio Otuzi. Jogos Cooperativos: O Jogo e o Esporte como Exercício de Convicência. 3 ed. Santos, São Paulo: Projeto Cooperação,161p. 
Fábio Brotto nasceu em Rio Claro – SP, foi uma criança brincalhona juntamente com seus irmãos. Professor de Educação Física, depois cursou psicologia. No final da década de 90, resolveu sistematizar aquilo que já tinha recolhido de informação e vivência em Jogos Cooperativos. Contanto com o apoio da UNICAMP, disserta sobre seu tema de mestrado. Hoje trabalha com o Projeto Cooperação, publicando livros e oferecendo materiais e cursos na divulgação da filosofia dos Jogos Cooperativos. É casado com Gisela e possui três filhos. 
Em uma época onde a competição é tanto estimulada, o livro de Brotto, surge como um desafio na divulgação aberta da filosofia da cooperação. Esse pensamento é expresso já no início do livro, onde o autor abre mão dos direitos autorais e autoriza a reprodução a quem quiser divulgar os jogos cooperativos. Fantástico!
O objetivo do autor com o trabalho é contribuir para que as pessoas possam resgatar o seu potencial de viver juntas e realizarem objetivos comuns, aprendendo a viver uns com os outros, ao invés de uns contra os outros. Trata-se de um estudo filosófico-pedagógico acerca dos jogos cooperativos para promover a ética da cooperação e desenvolver as competências necessárias para a melhoria da qualidade de vida atual para a vida das futuras gerações. 
O livro é organizado em cinco capítulos: O jogo em uma sociedade em transformação, a consciência da cooperação, jogos cooperativos, jogos cooperativos: uma pedagogia para o esporte, o jogo e o esporte como exercício de convivência. O livro possui ainda algumas considerações finais, bibliografia e anexos. 
Na primeira parte do trabalho, Brotto expõe os conceitos e abordagens de jogo, fazendo uma relação dele com as dimensões do ser humano e uma relação profunda com a vida humana, afirmando que: “Jogamos do jeito que vivemos e vivemos do jeito que jogamos”. Por isso, a importância de mudar a nossa mentalidade para transformar a sociedade. 
A partir do capítulo “a consciência da cooperação”, Brotto fala sobre a diferença gritante que há entre a cooperação e a competição, quais os alcances, os objetivos e os sentimentos envolvidos em uma situação competitiva e em uma situação cooperativa. Comenta também sobre alguns mitos que surgem quando falamos em cooperação, deixando bem claro que há alternativas, não porque a competição é ruim e a cooperação é boa, mas porque a cooperação é mais necessária se queremos um mundo melhor. “Não sou contra a competição, sou francamente a favor da cooperação ”. O capítulo termina com um apelo para que o desenvolvimento da cooperação seja desenvolvido por todos, mostrando que a sociedade cooperativa é uma possibilidade, basta trabalharmos com boas ações, além das nossas boas intenções.
No capítulo três Brotto, dedica-se a falar dos jogos cooperativos com profundidade, da sua origem, da sua evolução, de como esse movimento foi espalhando-se pelo mundo até chegar ao Brasil. Aqui no Brasil a trajetória dos jogos é mostrada de forma cronológica. Mostra ainda os conceitos e as características dos jogos cooperativos, principalmente contrastando com as características dos jogos competitivos. Jogos cooperativos são bem mais que jogos desenvolvidos em sala de aula, ou em quadras, por isso, Brotto mostra a visão que movimenta os jogos cooperativos e os princípios sócio-educativos da cooperação: a convivência, a consciência e a transcendência.
“Exercitando no jogo e no esporte a reflexão criativa, a comunicação sincera, a tomada de decisão por consenso e a abertura para expe-rimentar o novo, todos podem descobrir que são capazes de intervir positivamente na construção, transformação e emancipação de si mesmos, do grupo e da comunidade onde convivem.” 
No capítulo “jogos cooperativos: uma pedagogia do esporte”, o autor discorre sobre o esporte como algo muito presente na experiência humana e como conteúdo da disciplina de Educação Física. Ao esporte ele une a pedagogia, transformando-a em uma linha de pesquisa que aplica a ciência do esporte aos princípios sócio-educativos para favorecer o processo de ensino-aprendizagem. É o uso do esporte como meio de educação. Ainda nesse capítulo Brotto fala da importância da cooperação no esporte ensinando ao pedagogo do esporte todas as categorias de jogos cooperativos, os critérios para formação de grupos, a visão sobre premiação e as ações co-opetitivas, que são ações de criação e organização de eventos grandes de cooperação. 
No último capítulo, o autor relaciona tudo que foi exposto ao exercício da convivência, e estimula o leitor a desejar e lutar por um mundo melhor, sem perdedores ou vencedores, mas um mundo onde todos vencem juntos. Um verdadeiro desafio na construção de um mundo onde nós nos importamos com o outro, porque ele é parte de nós. 
Em suas considerações finais, Brotto enfatiza que os jogos cooperativos não terminam ali, eles continuam, “é impossível conceber um apito final para este Exercício de Convivência”. Todos são estimulados a vivenciar e a divulgar essa pedagogia da cooperação. 
Após a bibliografia, o livro coloca os anexos, que é chamado pelo autor de “con-nexos”. Os “con-nexos” são jogos cooperativos, jogos competitivos que podem ser transformados em jogos cooperativos e divulgação do material e dos cursos do Projeto Cooperação.
O livro de Fábio Brotto, “mexeu” comigo, lendo-o eu:
Ri dele, de alguma situação ou de nós mesmos.  
Senti meu coração acelerar.
Tive vontade de chorar
Fiquei com calor quando estava frio, e com frio quando estava calor.
Levei o livro para dar uma voltinha.
Esqueci de comer, beber ou, ir ao banheiro.
Contei para algumas pessoas que estava “com ele”.
Tive vontade de socar ou arrancar as páginas.
Tive a sensação de que não estava apenas lendo um livro, mas, estava com um AMIGO.
As palavras acima retiradas do primeiro livro de Fábio Brotto, expressam o sentimento ao ler o livro. A forma como é escrito facilita a compreensão e estimula o amor pela filosofia dos jogos cooperativos. Diante de tudo o autor expõe não há críticas, há o desejo de trabalhar por um mundo melhor, um mundo com menos competição, com menos violência, com menos egoísmo. Esse livro é indicado para todos aqueles que possuem em seu coração o desejo e em suas mãos a força da cooperação!

Resenha do Livro: Jogos Cooperativos – O Jogo e o Esporte como Exercício de Convivência

Por Ivonete Silva, apaixonada por essa idéia de cooperação e de educação de corpo inteiro. 

BROTTO, Fábio Otuzi. Jogos Cooperativos: O Jogo e o Esporte como Exercício de Convicência. 3 ed. Santos, São Paulo: Projeto Cooperação,161p. 

Fábio Brotto nasceu em Rio Claro – SP, foi uma criança brincalhona juntamente com seus irmãos. Professor de Educação Física, depois cursou psicologia. No final da década de 90, resolveu sistematizar aquilo que já tinha recolhido de informação e vivência em Jogos Cooperativos. Contanto com o apoio da UNICAMP, disserta sobre seu tema de mestrado. Hoje trabalha com o Projeto Cooperação, publicando livros e oferecendo materiais e cursos na divulgação da filosofia dos Jogos Cooperativos. É casado com Gisela e possui três filhos. 

Em uma época onde a competição é tanto estimulada, o livro de Brotto, surge como um desafio na divulgação aberta da filosofia da cooperação. Esse pensamento é expresso já no início do livro, onde o autor abre mão dos direitos autorais e autoriza a reprodução a quem quiser divulgar os jogos cooperativos. Fantástico!

O objetivo do autor com o trabalho é contribuir para que as pessoas possam resgatar o seu potencial de viver juntas e realizarem objetivos comuns, aprendendo a viver uns com os outros, ao invés de uns contra os outros. Trata-se de um estudo filosófico-pedagógico acerca dos jogos cooperativos para promover a ética da cooperação e desenvolver as competências necessárias para a melhoria da qualidade de vida atual para a vida das futuras gerações. 

O livro é organizado em cinco capítulos: O jogo em uma sociedade em transformação, a consciência da cooperação, jogos cooperativos, jogos cooperativos: uma pedagogia para o esporte, o jogo e o esporte como exercício de convivência. O livro possui ainda algumas considerações finais, bibliografia e anexos. 

Na primeira parte do trabalho, Brotto expõe os conceitos e abordagens de jogo, fazendo uma relação dele com as dimensões do ser humano e uma relação profunda com a vida humana, afirmando que: “Jogamos do jeito que vivemos e vivemos do jeito que jogamos”. Por isso, a importância de mudar a nossa mentalidade para transformar a sociedade. 

A partir do capítulo “a consciência da cooperação”, Brotto fala sobre a diferença gritante que há entre a cooperação e a competição, quais os alcances, os objetivos e os sentimentos envolvidos em uma situação competitiva e em uma situação cooperativa. Comenta também sobre alguns mitos que surgem quando falamos em cooperação, deixando bem claro que há alternativas, não porque a competição é ruim e a cooperação é boa, mas porque a cooperação é mais necessária se queremos um mundo melhor. “Não sou contra a competição, sou francamente a favor da cooperação ”. O capítulo termina com um apelo para que o desenvolvimento da cooperação seja desenvolvido por todos, mostrando que a sociedade cooperativa é uma possibilidade, basta trabalharmos com boas ações, além das nossas boas intenções.

No capítulo três Brotto, dedica-se a falar dos jogos cooperativos com profundidade, da sua origem, da sua evolução, de como esse movimento foi espalhando-se pelo mundo até chegar ao Brasil. Aqui no Brasil a trajetória dos jogos é mostrada de forma cronológica. Mostra ainda os conceitos e as características dos jogos cooperativos, principalmente contrastando com as características dos jogos competitivos. Jogos cooperativos são bem mais que jogos desenvolvidos em sala de aula, ou em quadras, por isso, Brotto mostra a visão que movimenta os jogos cooperativos e os princípios sócio-educativos da cooperação: a convivência, a consciência e a transcendência.

“Exercitando no jogo e no esporte a reflexão criativa, a comunicação sincera, a tomada de decisão por consenso e a abertura para expe-rimentar o novo, todos podem descobrir que são capazes de intervir positivamente na construção, transformação e emancipação de si mesmos, do grupo e da comunidade onde convivem.” 

No capítulo “jogos cooperativos: uma pedagogia do esporte”, o autor discorre sobre o esporte como algo muito presente na experiência humana e como conteúdo da disciplina de Educação Física. Ao esporte ele une a pedagogia, transformando-a em uma linha de pesquisa que aplica a ciência do esporte aos princípios sócio-educativos para favorecer o processo de ensino-aprendizagem. É o uso do esporte como meio de educação. Ainda nesse capítulo Brotto fala da importância da cooperação no esporte ensinando ao pedagogo do esporte todas as categorias de jogos cooperativos, os critérios para formação de grupos, a visão sobre premiação e as ações co-opetitivas, que são ações de criação e organização de eventos grandes de cooperação. 

No último capítulo, o autor relaciona tudo que foi exposto ao exercício da convivência, e estimula o leitor a desejar e lutar por um mundo melhor, sem perdedores ou vencedores, mas um mundo onde todos vencem juntos. Um verdadeiro desafio na construção de um mundo onde nós nos importamos com o outro, porque ele é parte de nós. 

Em suas considerações finais, Brotto enfatiza que os jogos cooperativos não terminam ali, eles continuam, “é impossível conceber um apito final para este Exercício de Convivência”. Todos são estimulados a vivenciar e a divulgar essa pedagogia da cooperação. 

Após a bibliografia, o livro coloca os anexos, que é chamado pelo autor de “con-nexos”. Os “con-nexos” são jogos cooperativos, jogos competitivos que podem ser transformados em jogos cooperativos e divulgação do material e dos cursos do Projeto Cooperação.

O livro de Fábio Brotto, “mexeu” comigo, lendo-o eu:

  • Ri dele, de alguma situação ou de mim mesmo. 
  • Senti meu coração acelerar.
  • Tive vontade de chorar
  • Fiquei com calor quando estava frio, e com frio quando estava calor.
  • Levei o livro para dar uma voltinha.
  • Esqueci de comer, beber ou, ir ao banheiro.
  • Contei para algumas pessoas que estava “com ele”.
  • Tive vontade de socar ou arrancar as páginas.
  • Tive a sensação de que não estava apenas lendo um livro, mas, estava com um AMIGO.

P1160047As palavras acima retiradas do primeiro livro de Fábio Brotto, expressam o sentimento ao ler o livro. A forma como é escrito facilita a compreensão e estimula o amor pela filosofia dos jogos cooperativos. Diante de tudo o autor expõe não há críticas, há o desejo de trabalhar por um mundo melhor, um mundo com menos competição, com menos violência, com menos egoísmo. Esse livro é indicado para todos aqueles que possuem em seu coração o desejo e em suas mãos a força da cooperação!

Ps. A foto foi tirada em um festival de jogos coopertativos realizado na cidade do Gama-DF pela turma de pedagogia 2006-2009 da Faculdade Fortium.

Uma Carta Para Calvino

bolo_calvinoPublico essa carta por ocasião dos 500 anos de Calvino (10/07/1509). Ela foi escrita para cumpir as exigências da disciplina Filosofia da Educação, quando fiz o curso de pedagogia. 

 

Gama, 02 de setembro de 2006

Querido Calvino,

Ao deparar-me com a tarefa de escrever uma carta, achei que seria interessante escrevê-la à você, por toda a sua contribuição no que diz respeito a uma filosofia educacional e pelo trabalho brilhante da Academia de Genebra.

Hoje as coisas estão muito diferentes, e a nível de Brasil a educação anda mal das pernas.

Cada vez mais educadores e pesquisadores trabalham arduamente em metodologias novas e em tentativas de atualização do ensino brasileiro, porém, a grande verdade é que a educação passa por uma crise gerada pelo descaso, falta de investimento e também por uma filosofia de educação recebida equivocadamente.

Abraçamos um modelo interessante em alguns aspectos, mas que foi praticamente “jogado” sem nenhum direcionamento. O modelo prega que o conhecimento é algo que vai sendo gradativamente formado e que cresce de forma subjetiva e individual, mas da maneira como vem sendo implementado há uma omissão de direcionamento, e “o resultado não é conhecimento construído e sim, caos educativo”. No final, somos reconhecidos como um país cheio de inovações  e sem nenhuma relevância significativa. 

Acho que precisamos de uma nova reforma educacional. Pego-me pensando em suas reações quando se deparou com a filosofia educacional  tomista existente em Genebra, onde a educação acontecia de acordo com os interesses da igreja e preparava os homens para corte ou para o clero.

Admiro o seu esforço para mudar todo um sistema, o seu pensamento de que TODOS, e não apenas alguns, deveriam ter direito a educação para que fossem cidadãos úteis a sociedade, para que saíssem da profunda ignorância e da miséria moral, intelectual e espiritual que se encontravam. Você acreditava que a solução era educar, por isso, apresentando um projeto ao conselho municipal transformou o Collège Versonnex, única escola que havia em Genebra em várias escolas para crianças de todas as idades, que ofereciam ensino gratuito e de qualidade a todos. A sua idéia de escola pública, oferecida pelo estado perpetuou-se até hoje. Porém querido, o ensino nem se compara àquele que você idealizou. 

Para começo de conversa, o estado não está muito preocupado com a educação, a mentalidade ainda é a mesma da pré-reforma, quanto mais ignorante o povo for, menos haverá questionamentos. O resultado disso é uma crise moral e ética que assombrou o país politicamente. O sistema adotado encontra algumas dificuldades em manter coerência filosófica nas premissas que foram adotadas. Por um lado levantam-se a bandeira do relativismo moral e a inexistência de valores absolutos, mas por outro, grande parte ao deparar-se com a realidade catastrófica do país e até mesmo das salas de aula, admite a realidade de valores morais universais. De certa forma isso favorece o estado, pois há um investimento educacional, mas as pessoas ainda continuam confusas e sem a educação adequada para o pensar, o questionar, e o participar ativamente da sociedade.

E a igreja, que você via como instituição importante nesse processo educacional, encontra-se em uma situação triste também. No que diz respeito ao cristianismo, a Igreja católica continua com práticas que favorecem o estado, e não encontram embasamento nenhum nas Escrituras, e algumas Igrejas protestantes (a maioria delas) caíram em práticas muito semelhantes as da igreja católica, e estão focadas mais em interesses próprios, traduzidos pela comercialização da fé dos fiéis que se deixam enganar, mesmo tendo acesso a tantas informações e aos textos sagrados. O resultado é a alienação crescente, que precisa de uma nova reforma, também religiosa. 

Nos faz falta cidadãos com o mesmo padrão de educação genebrino, que no verão começavam a estudar as seis da manhã e no inverno a sete e continuavam até às quatro da tarde, que já nos primeiros anos passavam do alfabeto a leitura fluente do francês, sendo iniciados na língua latina e grega. Como era importante sua preocupação com o aprendizado de línguas! Aqui no Brasil encontramos muitas dificuldades, pois a articulação correta da nossa própria língua é deficiente. Pesquisas recentes mostram que nossos alunos não sabem escrever e muito menos falar de forma satisfatória a nossa língua, o português. O conhecimento de outras línguas, então é privilégio de poucos.

As aulas de retórica e dialética, bem como o conhecimento das artes e das ciências (matemática, astronomia, física), relacionado às leituras dos pensadores como Cícero, Aristóteles, Sêneca e outros nos fazem falta. As mesmas pesquisas que mostram que os alunos brasileiros não sabem escrever, também mostram que eles não sabem ler, pois não conseguem interpretar o que estão lendo. É mais fácil prender a atenção deles com algo inútil que está sendo apresentado na TV do que com um livro. Hoje, eles freqüentam a escola por obrigação dos pais, que também estão mais interessados que o filho tenha uma carreira promissora do que no conhecimento que ele está adquirindo.

Pensadores, línguas e retórica são coisas das Universidades. Mas quem dera, se elas fossem semelhantes à academia que você, mesmo com todas as suas doenças arrecadou pessoalmente recursos para construir.

Elas (as academias brasileiras) possuem bons mestres, mas ainda é acessível apenas a minoria, e dessa minoria que se encontra lá, a maioria, fruto desse sistema que vem se desenvolvendo está interessada apenas no diploma. A leitura de alguns pensadores é vista como enfadonha e sem utilidade, e ainda há os que se gabam dizendo: “Depois que sai da faculdade, nunca mais li um livro!” comemorando a “estupidez humana e o descaso por educação”,como diz um protesto musical. Temos uma alta tecnologia, muitas informações disponíveis, mas isso pouco é usado de forma relevante, educacionalmente.

A escola brasileira poderia trabalhar melhor esses aspectos pontuados, se houvesse uma proposta clara, prática e objetiva de educação, e que essa proposta estivesse no coração dos nossos governantes. 

O povo poderia também aproveitar a oportunidade de acesso à informações e construir um pensamento indomado que fosse transformador socialmente. Porém diante do ciclo que vivemos, acho que fica mais fácil para o povo ser domesticado achando que está trilhando por uma educação onde ele próprio “constrói” seu conhecimento; e mais fácil para o estado que engana quando diz que oferece ao povo a oportunidade de adquirir esse conhecimento. No final de tudo, o cidadão educado pelo estado sobe aos palanques e continua o processo.

IMG_0006Vejo poucas alternativas para a escola brasileira hoje, querido. Principalmente, porque a idéia romanceada de que é o professor quem vai mudar essa realidade é muito difundida por aqui, como parte do sistema. Porém sua luta, seu esforço e seu trabalho, refletido na Genebra de hoje, estimula-me muito a influenciar de forma positiva os cidadãos que hoje tenho a oportunidade de educar. Quem sabe, a partir disso, uma reforma não aconteça também para a educação brasileira. 

Grata por sua colaboração educacional, política e religiosa, despeço-me, guardando no coração a profunda admiração que tenho por sua pessoa.

Ivonete Silva, ainda triste por não ter nascido a 497 anos atrás.

 Serviram de material de pesquisa para escrever a carta os seguintes escritos:

CAMPOS, Heber Carlos. A Filosofia Educacional de Calvino e a Fundação da Academia de Genebra, Fides Reformata 5/1, São Paulo: Editora Mackenzie, 2000. 

MCGRATH, Alister E. A Vida de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

NETO, Solano Portela. O Que Estão Ensinando aos Nossos Filhos? Uma Avaliação Teológica Preliminar de Jean Piaget e do Construtivismo, Fides Reformata 1/1, São Paulo: Editora Mackenzie, 1996.

WALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma: Um estudo sobre Calvino como um reformador social, clérigo, pastor e teólogo. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.

blico essa carta por ocasião dos 500 anos de Calvino (10/07/1509). Ela foi escrita para cumpir as exigências da disciplina Filosofia da Educação, quando fiz o curso de pedagogia. 
Serviram de material de pesquisa para escrever a carta os seguintes escritos:
CAMPOS, Heber Carlos. A Filosofia Educacional de Calvino e a Fundação da Academia de Genebra, Fides Reformata 5/1, São Paulo: Editora Mackenzie, 2000. 
MCGRATH, Alister E. A Vida de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
NETO, Solano Portela. O Que Estão Ensinando aos Nossos Filhos? Uma Avaliação Teológica Preliminar de Jean Piaget e do Construtivismo, Fides Reformata 1/1, São Paulo: Editora Mackenzie, 1996.
WALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma: Um estudo sobre Calvino como um reformador social, clérigo, pastor e teólogo. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.
Gama, 02 de setembro de 2006
Querido Calvino,
Ao deparar-me com a tarefa de escrever uma carta, achei que seria interessante escrevê-la à você, por toda a sua contribuição no que diz respeito a uma filosofia educacional e pelo trabalho brilhante da Academia de Genebra.
Hoje as coisas estão muito diferentes, e a nível de Brasil a educação anda mal das pernas.
Cada vez mais educadores e pesquisadores trabalham arduamente em metodologias novas e em tentativas de atualização do ensino brasileiro, porém, a grande verdade é que a educação passa por uma crise gerada pelo descaso, falta de investimento e também por uma filosofia de educação recebida equivocadamente.
Abraçamos um modelo interessante em alguns aspectos, mas que foi praticamente “jogado” sem nenhum direcionamento. O modelo prega que o conhecimento é algo que vai sendo gradativamente formado e que cresce de forma subjetiva e individual, mas da maneira como vem sendo implementado há uma omissão de direcionamento, e “o resultado não é conhecimento construído e sim, caos educativo”. No final, somos reconhecidos como um país cheio de inovações  e sem nenhuma relevância significativa. 
Acho que precisamos de uma nova reforma educacional. Pego-me pensando em suas reações quando se deparou com a filosofia educacional  tomista existente em Genebra, onde a educação acontecia de acordo com os interesses da igreja e preparava os homens para corte ou para o clero.
Admiro o seu esforço para mudar todo um sistema, o seu pensamento de que TODOS, e não apenas alguns, deveriam ter direito a educação para que fossem cidadãos úteis a sociedade, para que saíssem da profunda ignorância e da miséria moral, intelectual e espiritual que se encontravam. Você acreditava que a solução era educar, por isso, apresentando um projeto ao conselho municipal transformou o Collège Versonnex, única escola que havia em Genebra em várias escolas para crianças de todas as idades, que ofereciam ensino gratuito e de qualidade a todos. A sua idéia de escola pública, oferecida pelo estado perpetuou-se até hoje. Porém querido, o ensino nem se compara àquele que você idealizou. 
Para começo de conversa, o estado não está muito preocupado com a educação, a mentalidade ainda é a mesma da pré-reforma, quanto mais ignorante o povo for, menos haverá questionamentos. O resultado disso é uma crise moral e ética que assombrou o país politicamente. O sistema adotado encontra algumas dificuldades em manter coerência filosófica nas premissas que foram adotadas. Por um lado levantam-se a bandeira do relativismo moral e a inexistência de valores absolutos, mas por outro, grande parte ao deparar-se com a realidade catastrófica do país e até mesmo das salas de aula, admite a realidade de valores morais universais. De certa forma isso favorece o estado, pois há um investimento educacional, mas as pessoas ainda continuam confusas e sem a educação adequada para o pensar, o questionar, e o participar ativamente da sociedade.
E a igreja, que você via como instituição importante nesse processo educacional, encontra-se em uma situação triste também. No que diz respeito ao cristianismo, a Igreja católica continua com práticas que favorecem o estado, e não encontram embasamento nenhum nas Escrituras, e algumas Igrejas protestantes (a maioria delas) caíram em práticas muito semelhantes as da igreja católica, e estão focadas mais em interesses próprios, traduzidos pela comercialização da fé dos fiéis que se deixam enganar, mesmo tendo acesso a tantas informações e aos textos sagrados. O resultado é a alienação crescente, que precisa de uma nova reforma, também religiosa. 
Nos faz falta cidadãos com o mesmo padrão de educação genebrino, que no verão começavam a estudar as seis da manhã e no inverno a sete e continuavam até às quatro da tarde, que já nos primeiros anos passavam do alfabeto a leitura fluente do francês, sendo iniciados na língua latina e grega. Como era importante sua preocupação com o aprendizado de línguas! Aqui no Brasil encontramos muitas dificuldades, pois a articulação correta da nossa própria língua é deficiente. Pesquisas recentes mostram que nossos alunos não sabem escrever e muito menos falar de forma satisfatória a nossa língua, o português. O conhecimento de outras línguas, então é privilégio de poucos.
As aulas de retórica e dialética, bem como o conhecimento das artes e das ciências (matemática, astronomia, física), relacionado às leituras dos pensadores como Cícero, Aristóteles, Sêneca e outros nos fazem falta. As mesmas pesquisas que mostram que os alunos brasileiros não sabem escrever, também mostram que eles não sabem ler, pois não conseguem interpretar o que estão lendo. É mais fácil prender a atenção deles com algo inútil que está sendo apresentado na TV do que com um livro. Hoje, eles freqüentam a escola por obrigação dos pais, que também estão mais interessados que o filho tenha uma carreira promissora do que no conhecimento que ele está adquirindo.
Pensadores, línguas e retórica são coisas das Universidades. Mas quem dera, se elas fossem semelhantes à academia que você, mesmo com todas as suas doenças arrecadou pessoalmente recursos para construir.
Elas (as academias brasileiras) possuem bons mestres, mas ainda é acessível apenas a minoria, e dessa minoria que se encontra lá, a maioria, fruto desse sistema que vem se desenvolvendo está interessada apenas no diploma. A leitura de alguns pensadores é vista como enfadonha e sem utilidade, e ainda há os que se gabam dizendo: “Depois que sai da faculdade, nunca mais li um livro!” comemorando a “estupidez humana e o descaso por educação”,como diz um protesto musical. Temos uma alta tecnologia, muitas informações disponíveis, mas isso pouco é usado de forma relevante, educacionalmente.
A escola brasileira poderia trabalhar melhor esses aspectos pontuados, se houvesse uma proposta clara, prática e objetiva de educação, e que essa proposta estivesse no coração dos nossos governantes. O povo poderia também aproveitar a oportunidade de acesso à informações e construir um pensamento indomado que fosse transformador socialmente. Porém diante do ciclo que vivemos, acho que fica mais fácil para o povo ser domesticado achando que está trilhando por uma educação onde ele próprio “constrói” seu conhecimento; e mais fácil para o estado que engana quando diz que oferece ao povo a oportunidade de adquirir esse conhecimento. No final de tudo, o cidadão educado pelo estado sobe aos palanques e continua o processo.
Vejo poucas alternativas para a escola brasileira hoje, querido. Principalmente, porque a idéia romanceada de que é o professor quem vai mudar essa realidade é muito difundida por aqui, como parte do sistema. Porém sua luta, seu esforço e seu trabalho, refletido na Genebra de hoje, estimula-me muito a influenciar de forma positiva os cidadãos que hoje tenho a oportunidade de educar. Quem sabe, a partir disso, uma reforma não aconteça também para a educação brasileira. 
Grata por sua colaboração educacional, política e religiosa, despeço-me, guardando no coração a profunda admiração que tenho por sua pessoa.
Ivonete Silva, ainda triste por não ter nascido a 497 anos atrás.

Carta ao Corpo

Já faz algum tempo que escrevi esse texto. Foi uma produção para uma das mais maravilhosas disciplinas do curso de pedagogia “Lúdico, corpo e movimento”. Achei que seria interessante publicar.

Caro Corpo,

Sentada em frente ao computador, fico pensando no que escrever para expressar o quanto você é importante.
Penso que primeiramente devo falar que você é importante porque você foi criado por Deus, à imagem e semelhança dele. Por isso você é tão perfeito, e ao mesmo tempo tão complexo. Tantos mistérios te rondam, e quanto mais se estudam sobre sua estrutura, mais há para se estudar. Mas, você é bem mais que uma estrutura envolta em músculos e pele, fico bestificada com sua perfeição, e em como Deus é maravilhoso ao ter feito você. Você é prova da existência divina, já que reflete sua imagem.
Ao contrario de algumas pessoas, eu gosto de você corpo. Da forma que você é. É claro, que provavelmente não existe nenhuma mulher que é plenamente satisfeita com o próprio corpo. E tem uma coisinha ali ou aqui, que se eu pudesse, mudaria. Mas de forma geral eu estou muito satisfeita com você.
Além de expressar minha gratidão, essa carta também serve para me desculpar.
Primeiramente por não cuidar de você como eu deveria. Fico sem graça pela quantidade de besteiras que eu empurro em você todos os dias. Desculpe-me! Eu sei, tenho de melhorar minha alimentação! Mas é difícil corpo! E em parte a culpa é sua, basta olhar uma guloseima e você já se anima também. Mas eu prometo (mais uma vez) vou me alimentar bem, comer verduras e frutas, tomar leite (eca!) para que você seja saudável. Ah sim! E o mais importante, parar de comer à noite. Ficar só no cafezinho que amamos tanto!
Eu sei que tenho falhado imensamente com você, faz duas semanas que não vou à academia. Tou jogando dinheiro fora né corpo? Mas eu prometo voltar, para que você perca gordura e ganhe massa muscular. Sempre na perspectiva de que a sua saúde é mais importante que qualquer estética. Também não quero escravizá-lo com o bombardeio que a mídia faz. Até porque você não é e não tem de ser como o corpo de ninguém! Tem de ser como você é, único, somente meu, expressão da minha personalidade, do meu ser.
Tenho que lhe agradecer ainda meu corpinho querido, porque você é tão importante no meu trabalho. O que seria de mim, sem você para expressar meus sentimentos, minhas ações? Minha boca para falar, minhas mãos para escrever e digitar, meus pés para me locomover, minha mente para construir conhecimentos, meu coração para sentir, amar o que faço! Enfim, não dá para separá-lo em partes você é um todo indispensável!
Ah! Corpo querido!. Sou feliz com você! Porque acima de tudo em você habita o ser que mais amo nesse mundo, Deus. E eu não tenho dúvida alguma de que você foi feito para glorificá-lo em todas as suas expressões.

Ivonete Silva


Ivonete silva, estudante de teologia e pedagogia que tem como passatempos favoritos o gosto por livros, cinema, música, arte e tirinhas.

Sigam-me os bons

  • "Pela manhã o teu sorriso, aquece o meu coração" 3 days ago