Professores Desapaixonados?

Há algumas semanas atrás fiz uma prova de concurso que continha parte do texto de Gabriel Perissé, “Professores Apaixonados“. Li o texto, que por sinal, é muito poético, e fiquei a pensar…Embora concorde com várias ideias dele, talvez não me encaixe na descrição de Perissé, como professora apaixonada.
Primeiramente, não acho que os professores devem ter a “ideia fixa de mover o mundo”, nem acho que a educação seja a solução para todos os problemas do universo. Antes que me joguem tomates, explico: isso soa bonito, mas ao pensar assim, reduzimos a realidade a um aspecto, e tudo passa a girar em torno dele. A educação sozinha não pode solucionar todos os problemas do mundo, nem do Brasil, não desconsidero sua importância, porém os problemas possuem raízes morais que extrapolam o campo da educação.
Outro ponto é que acredito que o professor deve ser um bom mordomo do tempo e de seu corpo. É fato que levamos trabalho para casa, é fato que “queremos multiplicar o tempo”, na maioria das vezes, mas isso não pode nos consumir. Em minha opinião, o bom professor deve respeitar os horários das refeições, deve dormir as horas de sono que o seu corpo necessita, pois ao descuidar disso, ele prejudica sua saúde e consequentemente seu desempenho. E embora, inicialmente, algumas práticas, como varar noites acordados, não alimentar-se corretamente, demonstrem “paixão” e engajamento, a longo prazo, resultam em prejuízo para seu próprio trabalho. Não é à toa que existem milhares de professores com problemas de saúde por aí. Professores apaixonados não são super-heróis. São humanos, com necessidades físicas como todos os mortais.
Certamente há professores que já deixaram de ser professores há muito tempo, porém ainda estão em sala de aula, mas acredito que muitos professores, até mesmo os apaixonados, sonham com as férias e esperam pelo próximo feriado, ou aposentadoria, sim! Não porque já deixaram de ser professores, ou não gostam da profissão, mas porque querem descansar, passear com a família. Porque não são professores 24 horas por dia, mas são também, pais, mães, filhos, esposas, esposos, e entedem que essas pessoas também precisam e merecem sua atenção.
Poderia citar mais coisas, e por tudo isso, talvez não seja uma professora tão apaixonada, mas ainda assim, me identifiquei com o texto de Perissé. Não é fácil ser professor em um mundo comodista, cheio de injustiça e desrespeito. Isso, porque para mim, mais que uma questão de paixão, ser professor é questão de vocação. E vocação, como dizia Lutero, não é uma questão do que nós fazemos, mas do que Deus faz por nosso intermédio.  Vocação é amar a Deus e servir ao próximo. Assim o professor que exerce a sua vocação, faz o seu melhor, não porque simplesmente quer mudar o mundo, mas porque entende que foi chamado de maneira muito especial para essa tarefa e deve desempenhá-la para glória de Deus.

A todos que receberam essa vocação tão sublime, feliz dia dos professores! De presente, deixo a indicação do livro: “Deus em Ação: A vocação cristã em todos os setores da vida“, Gene Veith.

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