O Mundo Está ao Contrário e Ninguém Reparou?

Essa é a pergunta de uma das músicas do Nando Reis. É a pergunta que me faço quando vejo postagens como essa no Facebook.

Sinceridade… Me preocupo muito com os estudantes de hoje. Quase todo mundo quer passar sem estudar, preguiça de ler, de fazer exercícios, copiar trabalhos e colar virou sinônimo de coisa legal e esperta. Ser mediocre é o suficiente. Geralmente o aluno vem e pergunta “Quantos pontos faltam para eu passar?” e vibra ao perceber que alcançou a média mínima da escola. O respeito pelo professor já é coisa do passado. Isso é um reflexo dos tempos que vivemos, mentira, corrupção, mediocridade, roubo, desrespeito e infelizmente, penso que tudo só tende a piorar.

A Bruna e a Emanuella que fizeram a paródia da imagem, nem se deram ao trabalho de refletir que todos os professores já tiveram no lugar nos alunos. Eu sou uma delas. Acordava cedo, morava longe da escola e ia andando, e não tinha pc pra fazer abobrinhas como essa quando chegava em casa, não. Nunca levei uma advertência, pois sabia que se chegasse em casa com ela, no outro dia não teria dentes para cumprimentar meus colegas na escola (sem exageros), e o fato de me preservar de advertências ou suspensões era porque sabia que a minha mãe tinha de fato coragem e amor pra fazer isso. Hoje, o aluno apronta na escola para ganhar suspensão e ficar uns diazinhos em casa no pc ou na TV.

Já estive nesse lugar sim, e fiz prova sem colar. Na verdade falar que cola ou que copia trabalhos é assinar atestado de burrice, é dizer que não tem capacidade, ou que se tem muita preguiça, para aprender ou para fazer um trabalho e nunca quis que as pessoas pensassem isso de mim. Não entendo como os adolescentes hoje avaliam isso como sinônimo de esperteza.
Também tinha professores chatos e não gostava de todos eles. Ninguém é obrigado a gostar. Mas todos são obrigados a respeitar.

Recado pra galera que acha que levando vida de estudande desse jeito vai ser independente. Caia na real agora! A menos que você vire jogador (a) de futebol, político ou tenha pais ricos e tolos, é melhor acreditar no Papai Noel do que acreditar que você vai viver viajando e comprar apartamento sem conseguir estudar e ser um bom profissional. Apesar de que… do jeito que as coisas andam talvez até você consiga, mas eu não arriscaria, porque essa ideia de independência depois da escola é muito ilusória. Hoje você tem boletins, amanhã você terá contas, e cá pra nós a vida seria tão mais fácil se só tivésssemos que nos preocupar com os boletins.

Enfim… tou fazendo tempestade com uma brincadeira de adolescentes? Pode até ser, mas acho que é por tantos pensarem assim que a coisa chegou no nível que chegou. É só brincadeira, mas Pai, mãe, avó, tio, tia, professor… veja o que tá sendo expresso nessa brincadeira inocente. Não tenho filhos, mas se tivesse eu não ia querer que eles brincassem assim. Aliás temo pelo futuro deles, temo pelo futuro da escola e consequentemente do país.


Para que Serve uma Relação?

Essa pergunta foi respondida pelo Dr. Drauzio Varella e tem sido bastante compartilhada no Facebook.
A resposta tem um tom poético que cativa, mas merece a nossa atenção para um detalhe importante.
O doutor com aparência estranha, começa dizendo que uma relação deve servir para VOCÊ… Há um equívoco aqui. Uma relação existe para servir a Deus. Ele é o criador das pessoas e dos padrões para todas as relações, inclusive para as daquelas pessoas, que como o doutor, não acreditam na sua existência. Um relacionamento que existe unicamente para a nossa felicidade ou até mesmo para a felicidade da outra pessoa, resulta em frustação, tristeza e sofrimento. Um relacionamento em que só se considera a própria felicidade é um relacionamento egoísta, e um relacionamento onde só se considera a felicidade do outro é um relacionamento idólatra. Todos os relacionamentos devem apontar para Deus. Ele é a pessoa mais importante neles. A resposta do Drauzio é autoreferrente, quando na verdade os relacionamentos devem ser teorreferentes, ou seja, tendo Deus como referência. Tenho acompanhado muitos casais, e esse é a raiz dos principais problemas nos relacionamentos. As pessoas querem encontrar felicidade e satistifação em uma relação, quando essa felicidade e satisfação estão em Deus, que nos dá as relações para que possamos experimentar isso de forma mais intensa. É como se, ao tomar um café espresso, a pessoa se concentrasse tanto no sabor e no aroma do café, que esquecesse da necessidade da máquina especial para produzí-lo. Outras dizem: “Acho que o meu erro foi ter me dedicado demais a outra pessoa”. A confiança e dedicação última que deveria ser depositada em Deus é transferida para alguém que jamais vai conseguir suprir as nossas expectativas e anseios. A Bíblia chama isso de idolatria. E uma das coisas mais escravizadoras que existem é quando idolatramos um parceiro ou uma relação. Quando pensamos que isso é a única coisa que nos fará feliz, caminhamos para um problema terrível, pois quando esse relacionamento terminar de alguma forma, o resultado é o desespero.
O ponto chave da resposta do Drauzio, é que uma relação é construída com o caminhar diário, na simplicidade da vida, nos momentos de alegria e tristeza, e isso é muito bonito. Porém, se a relação é egoísta ou idólatra, se nela não se considera Deus e o que ele ordenou, não temos recursos para viver o que o doutor escreveu. Não nos sentiremos à vontade, não aceitaremos o outro do jeito que ele é, não teremos amparo nas inquietações, nem teremos perdão. Um dia cobraremos o que já demos, pois a relação gira em torno de nós. Um dia esses recursos esgotarão, pois não estamos conectados na fonte inesgotável de todos eles. Quantos casais você conhece que vivem uma relação harmoniosa como essa? Com certeza não é a maioria. A verdade é que é muito difícil ter uma relação como a descrita pelo Drauzio Varella, pois somos por essência egoístas e idólatras. Por essa razão não basta apenas servir o outro, não basta apenas encontrar alguém que se encaixe em uma lista de qualidades que temos, é necessário encontrar felicidade e satisfação em Deus, autor e doador de todas as coisas. Por causa dele e para ele, podemos nos relacionar com alguém, podemos ir ao cinema de mãos dadas, podemos viajar, podemos perdoar, podemos produzir, podemos respeitar diferenças, nos divertir, etc… experimentar a plenitude que uma relação pode oferecer.


Mudanças Radicais Para 2011

Não, esse não é um post de promessas de ano novo. Ultimamente eu não tenho tido condições de prometer muita coisa. :p

Os anos de 2008, 2009 e 2010 foram muito difíceis pra mim, principalmente no que diz respeito ao ministério. Apesar das dificuldades, que acabaram afetando também a minha saúde, eu cresci bastante. Muitas vezes a gente não consegue compreender os decretos divinos e esses anos de dificuldades agora antecedem um ano de mudanças radicais. Aliás, mudança, têm sido meu sobrenome nos últimos meses.

Como alguns de vocês já sabem eu irei me casar no fim do mês, não será apenas uma mudança de estado civil, mas será uma mudança de estado. Estarei mudando do Distrito Federal para o Maranhão, na cidade de São Luis, onde reside o meu noivo. Essa mudança de estado, agrega outras mudanças, como a de igreja, da Igreja Presbiteriana Central do Gama, onde congrego a mais de 12 anos, para a Igreja Presbiteriana do Renascença, onde eu e o meu futuro marido ajudaremos no trabalho. Mudanças de casa, de emprego e ainda a distância física dos amigos e da família completam o meu pacote de mudanças radicais para 2011.

Por favor não estranhem e não me abandonem se eu aparecer pouco por aqui. É devido a todo esse contexto. Em breve as postagens voltam a ser regulares, agora, escritas da Ilha do Amor. Peço também que estejam orando por mim diante dessas mudanças. Sou sincera em dizer que não estou preparada para nenhuma delas. Sei que é suficiente saber que Deus cuida de mim, e é nessa confiança que sigo.


Dolorosas Leituras, Importantes Lições

Nos últimos meses desse ano que está acabando, Powlison, Welch e Tripp, me fizeram companhia, por meio dos seus escritos. Juntos, eles me foram melhores do que as terapias receitadas pelo médico.

Com eles tenho aprendido verdades ao meu respeito e sobre a maneira como lido com as pessoas ao meu redor.  Tem sido um processo doloroso, no qual constantemente meu ego se sente profundamente desconfortável com algumas descobertas. Tento permanecer firme, pois sei que todo esse processo ajuda-me em meu objetivo de vida: caminhar humildemente, em silêncio, amando a Deus e servindo ao próximo. Embora, algumas pessoas nem mesmo tenham um objetivo de vida definido, eu procuro manter meu foco nesse, dando um passo de cada vez.

Dentre as muitas coisas que tenho aprendido com esses autores-amigos, destaco algumas:

  • Que o nosso pior inimigo está dentro de nós. Isso vem sendo dito sempre, mas poucas vezes nos damos conta dessa verdade.
  • O que as pessoas pensam, sentem e falam a respeito de nós não pode tomar uma proporção maior nem menor do que deve.
  • Somos especialistas em mascarar nossos defeitos e dificuldades.
  • Somos especialistas em nos esconder debaixo de nossas “boas” intenções.
  • Somos muito deficientes para ajudar as pessoas, mas é uma covardia se esconder atrás disso.
  • Aquele que ajuda, necessita de ajuda. Constantemente.
  • Na nossa cabeça, sempre merecemos alguma coisa.
  • “A palavra branda, desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”.
  • Há uma diferença grande entre conhecimento e mudança de atitude.
  • Precisamos investir mais tempo em ouvir, geralmente nos preocupamos mais em falar.
  • “Aonde está o teu tesouro, aí está teu coração.”
  • Aquilo que controla seu coração determinará o seu comportamento.
  • Nas palavras de Tripp: “Somos essencialmente incapazes de fazer o que é certo.”

Uma olhada ao redor da seção de mais vendidos numa livraria, mostra que aprendizados como esses acima não fazem sucesso. É escolher, entre leituras adocicadas e mascaradas sobre felicidade e autorrealização, ou encarar quem realmente somos.


Diga Não Porque Você Já Disse Sim

Sei que muitos me atirarão pedras depois desse post, porém não poderia deixar de publicá-lo.

Eu recebi esse vídeo em maio desse ano, e ele falou muito ao meu coração. Ele resgatou verdades bíblicas, que pelo pecado e pela idolatria do meu coração estavam apagadas. Decidi colocar o princípio em prática, durante todo o restante do ano, e algumas coisas melhoraram muito do ponto de vista físico, emocional e relacional.

Gostaria de dizer que continuo sendo cristã, reformada, conservadora, tradicional, cessacionista, etc, etc, etc. :p. Deixo claro que não concordo com alguns pressupostos de Rob Bell e não nego os perigos que a Igreja Emergente traz ao Cristianismo Histórico. Porém, toda verdade é Verdade de Deus, então seja edificado e diga não, porque você já disse sim.

Ps. Desconsiderem os erros de legenda.



O Ídolo da Cerimônia

Sem querer parecer uma pessoa estranha, sempre que vou à casamentos, algo realmente me incomoda, a cerimônia.  Já tem um tempinho que estou com vontade de escrever sobre cerimônias de casamento.
O que de fato me incomoda, é o peso que alguns casais dão aos detalhes cerimoniais (decoração, foto, filmagem, vestimentas, etc), ao ponto de desconsiderarem principios litúrgicos bíblicos e extremamentes importantes.
Por trás de todo esse foco nos detalhes da cerimônia, muitos alegam ser esse o “dia do seu sonho”, o “dia mais feliz de suas vidas”. Não estou aqui para banalizar os sonhos de ninguém. Creio que o matrimônio é uma bênção divina, e tem sua importância na vida do homem criado à imagem e semelhança de Deus. Porém acho interessante checar nossas motivações, checar o mais profundo do nosso coração e verificar se, por trás dessa preocupação exagerada com o  cerimonial, há algum ídolo, algo que abrigamos sem considerar alguns princípios.
O primeiro deles é que, infelizmente, nossa visão da cerimônia de casamento ainda é muito romanista. Na Igreja Católica Romana, o casamento é um sacramento. Na Igreja Protestante, especialmente na Igreja Presbiteriana do Brasil, o casamento não é sacramento, é graça comum. Nesse sentido, não há “casamento religioso”, a cerimônia que acontece na Igreja é chamada Bênção Matrimonial. É um culto, agradecendo a Deus pelo matrimônio que já foi celebrado pelo Estado. Isso acontece mesmo quando a cerimônia é religiosa com efeito civil. Segundo o Manual Litúrgico da IPB, “esta solenidade [Bênção Matrimonial] nunca se realizará antes de ser celebrado o casamento civil” e se for religioso com efeito civil, os documentos devem ser assinados pelos noivos e testemunhas, “esse ato precederá sempre a cerimônia religiosa“.
Seguindo essa linha, se realizamos um culto em agradecimento a Deus pelo matrimônio, devemos ter cuidado para que as nossas cerimônias não sejam equivocadas.
Observemos o que diz o Manual Presbiteriano, que está totalmente de acordo com os Símbolos de Fé (Confissão e catecismos de Westminster), sobre o culto público:
“O culto público é um ato religioso, através do qual o povo de Deus adora ao Senhor, entrando em comunhão com ele, fazendo-lhe confissão de pecados e buscando, pela mediação de Jesus Cristo, o perdão, a santificação da vida e o crescimento espiritual. É uma ocasião oportuna para a proclamação da mensagem redentora do Evangelho de Cristo e para doutrinação e congraçamento dos crentes. O culto público consta ordinariamente de leitura da Palavra de Deus, pregação, cânticos sagrados, orações e ofertas. (Art. 7 e 8 dos Princípios de Liturgia da IPB)
Ora, se é culto, a Palavra deve ocupar lugar central. As músicas tocadas devem ser cânticos sagrados, e digo isso independente da cerimônia ocorrer no templo ou em chácaras etc. Isso significa que a noiva não pode entrar ao som de Roberto Carlos ou  Kenny G, pois a finalidade da música no culto é apontar para a Palavra pregada.
Outro detalhe importante é que o culto está sendo dirigido a Deus, o brilho é de Cristo, e não da noiva que entra radiante com seu vestido branco, o perfurme dele deve está mais evidente do que o das flores da decoração. Tudo que ocupa o lugar dele é um ídolo.
É preciso tomar cuidado para que a preocupação com os detalhes da cerimônia apoteótica, não nos faça esquecer o significado do casamento: a representação do mistério entre Cristo e a Igreja.
Eu poderia me delongar falando ainda das implicações da administração financeira do casal nisso tudo. Conheço casais que iniciam sua vida a dois com dívidas gigantescas provocadas pela cerimônia do casamento, essa é uma questão que também deve ser considerada. Porém, independente de ter condições financeiras ou não, a Bênção Matrimonial deve prezar pela simplicidade, para que Cristo e o Evangelho sejam proclamados por meio da vida do casal que se apresenta diante de Deus.
Gosto muito das palavras de Stephen Kanitz, em seu artigo: A Beleza dos Casamentos, e encerro com elas. Ao falar sobre o que as pessoas comentavam de sua cerimônia, disse: “Foi singela, bonita e espiritual.” Acho que é isso que eu quero que as pessoas digam da minha cerimônia de casamento.

Nem Toda Brasileira é Bunda, Nem Toda Mulher é Salão: Uma Lição

Escrevi esse texto em 2005, na época da minha formatura no curso de teologia. Ele foi publicado no meu antigo blog. Como o aprendizado das lições permanecem, resolvi publicar de novo.

Atrevi-me a escrever mesmo sabendo que posso ser apedrejada pela maioria das mulheres deixando registrado aqui este desabafo, e uma pequena lição.

O dia de ontem foi marcado pela correria característica dos dias de dezembro, culminando com minha formatura às 20h.

Pensei, no início da semana, que já que tinha decidido participar da formatura, que por sinal foi ótima, não podia ir de qualquer jeito, (calça jeans, camiseta, bandana e All Star) mas os dias foram passando e já era sexta-feira quase 10 da manhã eu não tinha visto nenhum detalhe de roupa, penteado e etc.

Algumas pessoas amedrontaram-me dizendo que provavelmente eu não iria encontrar mais vaga em nenhum salão, que eu era doida, que eu tinha que tirado um dia para resolver isso e blá blá. Realmente eu achei que algumas horas fossem suficientes. Afinal de contas eu tava apenas me formando.

Bem, depois de três tentativas encontrei hora em um salão. Cheguei atrasada 30m e comecei a transformação. Sem brincadeira nenhuma cheguei a ficar cerca de duas horas debaixo de um secador. (fora o tempo da escova, penteado e maquiagem). Envolvida pelas músicas (melosas) e pelo titi do ambiente não pude deixar de fazer algumas reflexões, enquanto meus miolos cozinhavam junto com a secagem do cabelo.

A primeira delas veio depois de uma pergunta que fiz a mocinha que gentilmente lixava minhas unhas.

“- Tem gente que vem tooooda semana aqui?”

“- Sim! Tem clientes que já tem um horário fixo semanal reservado”.

“- E elas passam cerca de quatro horas aqui?”

“- Sim! as vezes até mais!”

Fiquei pensando em quanta coisa eu poderia fazer em três ou quatro horas, ou melhor naquelas exatas três horas, além de ouvir falar da atuação da Glória Pires na novela das 8h, ficar nervosa com a menina ao meu lado que ia casar e  ligava de cinco em cinco minutos para conferir os detalhes da cerimônia, ou bater com a cabeça na parede agoniada com a conversa embolada de tantas mulheres juntas que se produziam, e falavam de tantos assuntos diferentes. Pensei até em continuar a leitura de um livro mais não ia dar, porque minhas unhas estavam sendo pintadas. Então eu comecei a pensar em como seria minha vida, se eu tivesse que passar quatro horas toda semana ali, e em um desespero crescente soltei um:

“- Eu detesto salão!”

A noivinha que estava ao meu lado, disse:

“- Nossa se eu pudesse, eu vinha todo sábado e passava o dia! É bom demais! Qual mulher não gosta?”

Tentei lembrar da música da Rita Lee, mas pensei que talvez eu tivesse mesmo algum problema, ou o que restava do meus neurônios haviam sido consumidos pelo calor do secador. Como alguém passaria o dia inteiro naquela tortura? E pior, quem teria o dia inteiro disponível para empregar naquilo tudo, quando poderia fazer milhares de coisas mais interessantes? E ainda, quem teria tanto dinheiro para isso? Nem quis pensar na questão financeira, afinal de contas eu saberia que tudo o que tava sendo feito no meu cabelo e no meu rosto iria durar apenas um noite. Evitei pensar no que eu poderia comprar com esse dinheiro para não entrar em depressão.

Conclui que talvez eu não fosse mulher, ao pensar que eu preferia em um sábado, mil vezes estar em um acampamento  comendo uma comidinha mateira, tomando banho de rio, ou estar em casa, lendo um livro, assistindo um filme, navegando na internet, música, cinema, pizza, casa de amigos, e até mesmo dormir, sei lá uma infinidade de coisas que se pode fazer e que são infinitamente mais prazeirosas do que morar em um salão.

Devo esclarecer que eu gosto de unhas limpas, de cabelo arrumado, corpo depilado, sobrancelha certinha, isso faz parte até da higiene nossa de cada dia, mas acho inconcebível um ser humano sentir prazer em passar o dia inteiro fazendo essas coisas, e procurar compulsivamente mante-se com a cara rebocada em cima de um salto, quando poderia ser prático e tentar fazer as coisas básicas e indispensáveis em poucas horas, e aproveitar a vida!

Depois desconclui pensando que isso não era inconcebível, mas que Deus é muito gracioso e criativo! Como Ele pode ter criado tantas pessoas diferentes!

Para algumas mulheres, e eu diria que pra maioria delas, essa é uma meneira de aproveitar a vida! (pobre de mim ao achar que meus prazeres resumem a forma de aproveitar a vida!) É assim que elas relaxam da correia do trabalho, dos afazeres domésticos, das pressões familiares, e elas se sentem bem em um salão, desfrutando de cada minuto ao cuidarem da sua pele, corpo e cabelo, fazendo daquele momento um eterno prazer.

E apesar de não me enquadrar na categoria das que dão a vida por um dia no salão, não tenho nenhum direito de criticar, ou dizer que são piores ou melhores do que eu apenas porque temos gostos e prazeres diferentes. O que Deus espera de nós é que respeitemos uns aos outros e que até nas nossas diferenças magnifiquemos o seu nome, respeitando o próximo e reconhecendo a sua soberania e glória.

Ai finalmente conclui que sou pó, assim como aquele que a moça passava na minha face, quase finalizando a maquiagem. E quando me olhei no espelho, louvei a Deus por ter me criado, e por ter criado tantas pessoas, e supliquei que ele me ensinasse dia a dia, a respeitar as pessoas, e a amá-las como Cristo amou independente de todas as diferenças, e que através desse amor vidas pudessem se render aos pés dele, pois só assim eu realmente estararia cumprindo a missão que ele me deu.

Ivonete Silva, feliz pelas diferenças e triste por ter jogado R$125,00 ralo abaixo no banho matinal.