Diário de Pensamentos

Estou lendo um livro bem interessante: “Mulheres Ajudando Mulheres”. Uma das autoras, a Carol Cornish, dá a sugestão para fazer um Diário de Pensamentos para avaliar o que ocupa o nosso pensamento o dia inteiro. Isso é muito importante, porque o que pensamos durante todo o dia, diz muito a respeito de nós e das nossas atitudes. A verdade é que a maioria de nós, diz a Carol, passa o dia todo em tomar conhecimento do que está se passando em nossa mente, e como a nossa memória é fraca, fica difícil revisar tudo na hora de dormir. O Diário nos ajuda, porque nele fazemos anotações dos nosso pensamentos pelo menos cinco vezes por dia.

Tentei colocar a ideia da Carol em uma tabelinha. Você pode imprimi-la e usar à vontade. Nela você deve escrever o que ocupa o seu pensamento ao acordar, durante a manhã, durante a tarde, durante a noite, e ao dormir. Você deve anotar no período de 15 dias, sendo bem sincero nas respostas. A partir daí você poderá verificar o que ocupa o seu pensamento e assim redirecionar seu coração para o lugar certo.

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Desejo

Agostinho: Fiz minha oração a Deus.
Razão: Então o que desejas saber?
Agostinho: Tudo que pedi na oração.
Razão: Faze um resumo de tudo.
Agostinho: Desejo conhecer a Deus e a alma (Deum et animam scire cupio).
Razão: Nada mais?
Agostinho: Nada
[…] Razão: Então quado puderes, faze uma oração muito breve e perfeita.
Agostinho: Deus, sempre o mesmo: que eu me conheça a mim mesmo; que eu te conheça.

(Santo Agostinho em Solilóquios)


Frida – Acidez e Docura

Em homenagem ao aniversário da grande pintora Frida Kahlo, republico hoje, um post que já tinha publicado há um tempo atrás.

Se você não assistiu, deveria assistir ao filme “Frida”, de Julie Taymor.

Confesso que antes de assistir ao filme, eu já gostava muito das pinturas de Frida Kahlo e conhecia alguma coisa da sua difícil trajetória de vida. Depois de assistir, fiquei ainda mais fascinada. Frida é uma grande artista. Nascida na cidade de Coyoacan, no México, no dia 06 de julho de 1907, teve uma vida cheia de percalços. Aos seis anos contraiu Paralisia Inantil, e ainda jovem sofreu um acidente de ônibus que trouxe conseqüências para toda sua vida. Frida, além de artista foi militante comunista e símbolo de revolução sexual e cultural.

Há pelo menos dois aspectos que eu admiro em sua vida e em suas pinturas:

1. O primeiro é notório. Apesar das dificuldades, Frida enfrentou muitas barreiras. Foi operada 32 vezes antes de sua morte aos 47 anos. A dor intensa que sentia não impediu muitas de suas conquistas, com uma determinação impressionante, sobrevivendo a doença e ao acidente que a deixou dilacerada.

2. Considerando o que o filme mostra, o plano de Frida nunca foi o de ser uma grande e famosa artista, embora isso tenha vindo como conseqüência de seu talento. Frida pintava para expressar-se. Pura e simplesmente. E apesar do rótulo surrealista que recebe ela mesmo afirmou que pintava sua realidade. “Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor“. Essa realidade é pintada de maneira chocante e ao mesmo tempo de maneira doce. Essa combinação é o que mais me instiga em suas pinturas.

Com certeza há muitos aspectos da vida de Frida que não são biblicamente, e politicamente corretos. E meu objetivo neste post não é analisá-los. Sou uma admiradora de Frida e de sua arte considerando que seu talento é obra da graça comum.

A imagem ao lado é uma de minhas pintura favorita. La Columna Rota (A coluna quebrada), é o quadro que melhor expressa o sofrimento de Frida e a beleza como ela o retratava. Sua coluna quebrada com uma barra de ferro devido ao acidente com o ônibus entrou-lhe pelo pescoço e saiu pela vagina. O colete posto, fazia parte de suas vestimentas, na tentativa de aliviar suas dores e fornecer sustentação aos frágeis ossos. A paisagem desértica ilustando a solidão da dor, e os pregos por todo o corpo nu, seu interminável sofrimento. Do olhar firme, saltam lágrimas. O traço preciso e característico de Frida, traz a pintura a acidez e docura sempre presente em suas obras.

O vídeo abaixo é a minha cena favorita no filme. Frida corta os cabelos, ao som de Chavela Vargas, após saber que foi traída por seu grande amor, Diego Rivera com sua irmã.


Aforismos Schaefferianos

Apresento a minha leitura do livro de Francis Schaeffer, “O Deus que se Revela”, em 9 aforismos. Esse é o útlimo livro de uma trilogia dos livros fundamentais de Schaeffer. Quem sabe não me animo e faço aforismos dos outros dois?
1. Eis os principais dilemas do homem: Ele é um ser finito, mas ao mesmo tempo pessoal, o homem é um ser nobre, há algo grandioso nele, mas ao mesmo tempo ele é cruel. O homem  encontra-se em estado anormal, muito diferente do que foi criado, não apenas no sentido epistemológico, mas no sentido moral.
2. A existência tem uma origem pessoal. Ela não pode partir do nada, nem tampouco ter uma origem impessoal, já que essa última não consegue tratar as pessoalidades do homem.
3. Já dizia Jean Paul Sartre: A questão filosófica básica não é se as coisas não existem e sim que as coisas existem. Um Deus pessoal e infinito é uma necessidade filosófica da metafísica, e tudo se baseia no fato de que ele existe e que deu origem a existência que o revela.
4. Pode parecer presunção ou empáfia, mas não há várias respostas possíveis para a existência. Há somente uma única resposta: a existência de um Deus pessoal e infinito.
5. Deus criou o universo, mas não depende dele. A Trindade é completa, una, diversa e pessoal.
6. O Cristianismo é verdadeiro em relação a TUDO que existe. Você não encontrará respostas fora dele. Pasme! Os homens agem como se o Cristianismo fosse verdadeiro, pois ele está “alinhado” com a experiência de todos os homens.
7. Eis um tapa na cara dos relativistas: Platão afirmava que se não houver absolutos não haverá moral. “O caráter de Deus é a moral absoluta do universo”. Se Deus não existisse não haveria resposta para o problema do mal e para o senso de moral que existe em todo ser humano.
8. Para o homem que não enxerga o absoluto, o universal, a única resposta para o que lhe é particular será o silêncio.
9. Deus existe e não está em silêncio, ele se REVELA! De forma verbal, proposicional e objetiva. Essa é a comunicação do Criador com a criatura. Não busca ser exaustiva, mas é verdadeira e adequada ao ser humano.

Alice in Wonderland

Sim! Eu me assentei nas confortáveis poltronas do cinema, com um saco de pipocas enorme e uma coca-cola de um litro,  para assistir ao novo filme de Tim Burton. Confesso que não gosto muito de assistir à um filme por causa de sua popularidade hollywoodiana, além disso, ouvi várias críticas à obra de Burton. Contudo, mesmo sem ter lido o famoso livro e não saber muita coisa da história da garota Alice, fiquei bastante fascinada com o que vi.
Vale lembrar que o filme de Burton, nao é uma releitura do original Alice no País das Maravilhas, e sim uma espécie de continuidade imaginada pelo cineasta. No filme, Alice retorna ao País das Maravilhas após 9 anos. Já adulta, ela tem a missão de destruir uma criatura horripilante e devolver o poder para a Rainha Branca.
Entre as coisas que podemos observar com atenção no filme é que embora, Alice no País das Maravilhas, tenha uma temática infantil, ele nao é um filme para crianças. Pode estimular o consumo de drogas, Absolum, a sábia lagarta azul, não para de fumar. Além disso, pode estimular também o Bullying escolar, ao tratar o diferente (pessoas obesas como os  irmãos Tweedle, e a Rainha vermelha que possui uma cabeça grande). Uma criança que assiste o filme de Burton, sem o auxílio de uma análise crítica dos pais ou responsáveis, pode, por exemplo, discriminar uma criança com hidrocefalia.

É possível observar os pontos de contatos teorreferentes do filme. O que mais me chamou atenção foi o fato de Alice querer ser livre, controlar seu destino, tomar  suas próprias decisoes, porém tudo o que ia acontecer já estava escrito no Oráculo. É até mesmo quando Alice pensava ter tomado uma decisão como senhora do seu destino (ao se dirigir para o castelo da Rainha Vermelha para salvar o Chapeleiro Maluco), isso foi providencial para que lá ela recuperasse a espada.
Podemos observar ainda o motivo básico religioso criação-queda-redenção bem presente na narrativa. O momento de paz da criação quando Alice tinha visitado o País das Maravilhas há 9 anos atrás. O momento da queda, quando a Rainha Vermelha tomou o poder da Rainha Branca destruindo tudo, esse momento é narrado pelo Chapeleiro Maluco para Alice. A redenção ocorre por meio da figura redentiva de Alice que destrói o Jabberwocky.

Foi destaque por muitos a interpretaçao de Johnny Depp, como o Chapeeiiro Maluco, mas a personagem que achei mais bem representada e incrivelmente interpretada foi a Rainha Vermelha.

Penso que, por enquanto,  é isso. Assistam e teçam seus arrazoados. Eu pretendo assistir novamente.


O Melhor Livro do Ano

Quer ler o melhor livro do ano?

O primeiro livro em português do Herman Dooyeweerd, pai da filosfia reformacional e um dos maiores filósofos cristaos que já existiu.

Clique no link abaixo:


O Crente no Mundo de Deus

PLANTINGA, Cornelius. O Crente no Mundo de Deus: Uma visão cristã da fé, da educação e da vida. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007. 156p.

O livro “O Crente no Mundo de Deus” é uma monografia adaptada de Cornelius Plantinga, quando ele era Deão da capelania do Calvin College. Seu objetivo é mostrar como uma instituição cristã de ensino superior reformada, por meio da tríade criação-queda-redenção,  deve construir uma moldura para que o estudante encaixe seu conhecimento, reconhecendo a visão bíblica de mundo.

No primeiro capítulo, Plantinga discorre sobre o senso do divino presente em cada coração humano,  que se manifesta em tantos outros anseios, é o combustível para a esperança. Que esperança seria essa? Nas palavras de Plantinga: “é aquilo que acreditamos que irá nos salvar, nos complementar”. Essa esperança em toda a Bíblia aponta para a Cristo.

No segundo capítulo, o autor chama a atenção do leitor para pensar na criação considerando as relações entre a Trindade. De forma poética e com muitos exemplos, ele caminha trazendo informações sobre os atributos de Deus demonstrados na criação dos animais, e principalmente do homem com o estabelecimento do mandado cultural, reafirmando a criação como ato da bondade infinita e soberana de um Deus amoroso que decide se relacionar com suas criaturas.

O capítulo sobre a queda, traz informações preciosas sobre a condição humana. O homem não vive como deveria viver porque está corrompido. Isso significa que ele vive em uma condição anormal, destrutiva, totalmente diferente daquela que Deus criou. Ele perverte os dons dados por Deus na criação e polui seus relacionamentos com a idolatria. O coração do homem é o grande culpado dessa corrupção e só não se entrega ao caos devido a graça comum que barra os seus piores ímpetos.

Como afirma o autor “mais antiga que a miséria humana, é a graça [e a misericórdia] de Deus por aqueles que não merecem. A Bíblia inteira é recheada de manifestações da “persistente graça de Deus”. O ponto alto dessas manifestações está no sacrifício de Cristo, sua morte e ressurreição pode nos devolver de volta a paz e a esperança. Mais do que descrever isso, no capítulo quatro, Plantinga nos desafia a “reformar” o nosso pensamento dia a dia pela luz dessa Verdade.

O autor finaliza seu livro falando sobre o estágio final da redenção, a vinda do Reino de Deus. Ele esclarece a amplitude desse conceito, falando sobre o chamado que todos os cristãos possuem para “exercer papel ativo” em todas as esferas desse reino buscando a redenção de cada uma dessas áreas. O livro finaliza expondo o conhecimento, as habilidades e as virtudes que o cristão precisa ter para seguir essa vocação.

Recomendo esse livro, pois o autor fornece a oportunidade de apreender conceitos bíblicos importantes aplicados em exemplos cotidianos simples. Como cristãos e estudantes somos desafiados a ampliar nosso conceito de reino de Deus e a cumprir nossa vocação desenvolvendo o conhecimento, as virtudes e habilidades aprendidas nessa leitura.