Jesus e a Religião

Já comentei em um post anterior, que sempre me incomoda – seja em tweets, comunidades, ou até mesmo palavras – frases do tipo “Eu quero mais Jesus e menos religião” (descobri que tem até um livro com esse título); “Jesus sim, igreja não”; “Jesus salva a religião mata”. Todas elas com um só foco: Jesus não veio fundar uma religião, mas oferecer seu amor aos homens.
Há um simples motivo pelo qual essas frases e esse pensamento me incomoda. É antibíblico. É bonito, soa piedoso, diferente, descolado, mas não é bíblico.
Na maioria das vezes o termo religião é usado de forma equivocada. Religião não é uma esfera da vida, é a raiz do coração humano. É quem direciona todos os seus pensamentos e atitudes. É quem determina, num primeiro momento, a maneira como você vê o mundo. O coração do homem é religioso, mesmo quando volta-se contra Deus, porque o próprio Deus, em quem ele diz não acreditar, é seu ponto de referência último. Quando o homem reconhece Deus como seu Criador e Salvador, seu coração passa a adorá-lo em amor e submissão. Quando Deus não é adorado, um ídolo é colocado em seu lugar, mas o coração nunca fica vazio ou neutro, ele é sempre religioso, sempre voltado para algo em que deposita sua confiança última, sua fé.
Assim, é impossível “querer mais Jesus e menos religião”, o fato de crer em Jesus e desejá-lo já é algo religioso.
A palavra religião também é usada para definir um sistema de crenças. Aí você deve pensar: Pronto! Nesse sentido, Jesus não veio fundar uma religião! Errado. A vinda de Jesus ao mundo fazia parte de um plano revelado dentro da tradição judaica. Já no mundo, ele afirmou que veio para cumprir a lei e não para revogá-la (Mateus 5.17) . Nas próprias palavras de Jesus encontramos ligação e continuidade do Velho e Novo Testamentos. Além disso, Jesus ensinou, curou, fez discípulos e instituiu ritos, como por exemplo, o batismo e a ceia. A esses discípulos ele encarregou de continuar seu ministério (Mateus 28.19-20). E após a sua ascenção os discípulos continuaram pregando os ensinamentos do Messias, fazendo novos adeptos que se reuniam como igreja ao ponto de serem chamados de cristãos (Atos 11.26).

Não acredite nessa balela barata. Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores e ao fazer isso ele instituía o Cristianismo. Um conjunto de crenças baseados na verdade da Palavra de Deus. Não há nenhum problema em afirmar isso.

Há cristãos que utilizam o termo religião como um sinônimo para religiosidade, para identificar aqueles que dão um peso indevido à tradição (seguindo os ritos de forma hipócrita), ou para definir a tentativa do homem de chegar até Deus. Eu acho perigoso  o uso do termo assim,  pelo que já expus acima. Isso é religiosidade e não religião.
E como última palavra eu diria que os cristãos, muitas vezes, tranformam sim o Cristianismo em uma simples religião, ou em religiosidade. Porém ele nunca deixará de ser a Verdade com V maiúsculo, como dizia Francis Schaeffer. O Cristianismo é a única religião que oferece respostas para os dilemas mais profundos do homem. É a religião do Deus que veio em busca do homem, e não do homem que vai em busca de Deus. É uma resposta do coração que foi criado e rebelou-se contra o seu criador, mas que foi redimido em todos os aspectos e que agora o adora e o glorifica em tudo aquilo que faz.

O blog NovaMente traz  também uma reflexão bastante interessante a respeito desse tema. Visite: http://fcaue.wordpress.com/2011/08/23/em-defesa-da-religiao

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God is God, and God is good

Já faz dois anos, mas parece que foi ontem. Eu assentada nas cadeiras do Andrew Jumper para assistir aulas, quase não prestei atenção no aluno que chegava um pouco atrasado.  A desatenção do primeiro dia foi compensada no restante da semana, impressionada com sua inteligência e educação, dei espaço à amizade.

Amizade distante (aproximadamente 4.000 km) mas que foi aproximada com a teologia, a boa música, as camisetas engraçadas, as piadas, a internet e o serviço de telefonia móvel. Em poucos meses o garoto de São Luís estava sendo apresentado aos meus pais e à minha igreja como meu namorado.

Nesse período, que durou um pouco mais de um ano, a relação foi amadurecida com momentos de alegria, momentos de tristezas e crises e principalmente com a convicção de que é a graça de Deus que sustenta um relacionamento. A partir dessa certeza veio o noivado e hoje, o garoto de São Luis, enquanto escrevo esse texto, dorme calmamente ao meu lado na cama, pois já caminhamos para quatro meses de casados.

Nesta data em que ele comemora 26 anos, tenho motivos para agradecer a Deus por sua vida e por permitir que ele esteja ao meu lado. Sou abençoada e santificada com sua convivência e com a maneira como ele conduz o nosso lar. Deus é assim, mesmo sem merecermos ele nos agracia com coisas maravilhosas demais para nós. “God is God, and God is good“.


A Razão Que Não Tem Razão

Reflexões acerca do texto: “Reason Within the Limits of Revelation Alone: John Calvin’s understanding of human reason”, de Barry G. Waugh, publicado no The Westminster Theological Journal Vol.72 No.1

“O Amado ausentou-se do seu amigo e o amigo procurava o seu amado com a sua memória e o seu intelecto para que o pudesse amar. O amigo encontrou seu Amado e perguntou-lhe onde tinha estado. O Amado respondeu:’Na ausência da tua recordação e na ignorância da tua inteligência'”.
(Raimundo Lúlio, no Livro do Amigo e do Amado)

Todo ser humano é dotado da capacidade de raciocionar. Isso é o que o difere de outras criaturas. Raciocinar é um dom, um presente de Deus para todos os homens, acreditem eles Nele, ou não. Uma bondade imerecida dada na criação. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, por isso somos capazes de racionar: elaborar teorias científicas, realizar cálculos matemáticos, codificar a linguagem, pensar acerca  da existência.

João Calvino, teólogo do séc XVII, chamava essa capacidade de raciocínio do homem de razão natural. Essa razão natural, bem como todas as capacidades humanas, foi corrompida pela queda. Com isso, ela é incapaz de conhecer a Deus.  Por causa do pecado, os homens se acham suficientes, eles não precisam de Deus, pois sua capacidade de raciocinar, basta. Quando os homens pensam assim, e buscam conhecer a Deus por meio de sua razão corrompida, eles assumem um caminho totalmente equivocado. Isso gera idolatria nos seus corações. Ao invés de adorar ao Deus Criador e doador da razão, eles adoram qualquer coisa, inclusive e frequentemente o seu próprio eu, ou a sua própria razão. Calvino diz que essa é a razão viciada. Uma razão que não tem razão, uma razão enganada pela sua própria capacidade de raciocinar.

A solução para uma razão que não tem razão, é o reconhecimento de que sua própria razão não é suficiente para conhecer verdadeiramente a Deus. Esse conhecimento só é possível a medida em que o próprio Deus se revela, por meio de sua Palavra, a Bíblia Sagrada. A resposta para a razão viciada, é a razão redimida, uma razão que foi transformada e que compreende o seu estado de depravação e reconhece a Deus como perfeito, único e verdadeiro. A mente redimida tem uma visão bíblica tanto de Deus quanto do homem e assim o possibilita a amá-lo com piedade e devoção.

O ponto último de toda a existencia humana é Deus. Talvez você pense: “mas eu nem mesmo acredito em Deus!” tal frase, confirma o que eu afirmei. O homem está sempre se relacionando com Deus, ou virando as costas para ele e ignorando a sua existencia, ou amando-o com todo o seu coração. Deus nos deu a capacidade de raciocinar para que com ela fossémos capazes de glorificar o seu nome e reconhecer sua bondade e favor imerecido.


Retorno e Expectativas

Leitores que ainda permanecem firmes;

Depois de mais de um mês, retorno com as postagens no IvoneTirinhas. Já vos escrevo da Ilha do Amor, cidade de São Luís, no estado do Maranhão, que é chamada carinhosamente assim pelos seus moradores. Neste post de retorno, pretendo apenas destacar alguns fatos interessantes e falar de algumas expectativas para o blog.

Mafalda: Casei-me em Brasília e, logo após o casamento, fomos para Buenos Aires. Lembro-me que em um post antigo, eu tinha falado sobre uma escultura da Mafalda, que fizeram em homenagem ao Quino, e como eu queria ir visitá-la. Logicamente, estando eu na cidade dos “hermanos”, não perderia essa oportunidade por nada. Depois de muitas pernadas, consegui encontrar a bendita praça e tirar mil fotos com a escultura que é linda. Dá vontade de arrancar a Mafalda e levar pra casa.

Ministério: Estou em uma nova igreja, que me acolheu muito bem, e leva o Cristianismo muito a sério, louvo a Deus por isso. Novos desafios surgirão em termos ministeriais e desejo em breve compartilhá-los por aqui.

Leituras: Com casamento, veio a viagem e depois, a organização da casa. Agora que sou dona de casa, tenho muitas coisas pra conciliar e colocar em dia minhas leituras. Quero compartilhá-las por aqui também, inicialmente, deve sair algo sobre Agostinho.

Enfim é isso, espero voltar regularmente com as postagens a partir desse post.


Mudanças Radicais Para 2011

Não, esse não é um post de promessas de ano novo. Ultimamente eu não tenho tido condições de prometer muita coisa. :p

Os anos de 2008, 2009 e 2010 foram muito difíceis pra mim, principalmente no que diz respeito ao ministério. Apesar das dificuldades, que acabaram afetando também a minha saúde, eu cresci bastante. Muitas vezes a gente não consegue compreender os decretos divinos e esses anos de dificuldades agora antecedem um ano de mudanças radicais. Aliás, mudança, têm sido meu sobrenome nos últimos meses.

Como alguns de vocês já sabem eu irei me casar no fim do mês, não será apenas uma mudança de estado civil, mas será uma mudança de estado. Estarei mudando do Distrito Federal para o Maranhão, na cidade de São Luis, onde reside o meu noivo. Essa mudança de estado, agrega outras mudanças, como a de igreja, da Igreja Presbiteriana Central do Gama, onde congrego a mais de 12 anos, para a Igreja Presbiteriana do Renascença, onde eu e o meu futuro marido ajudaremos no trabalho. Mudanças de casa, de emprego e ainda a distância física dos amigos e da família completam o meu pacote de mudanças radicais para 2011.

Por favor não estranhem e não me abandonem se eu aparecer pouco por aqui. É devido a todo esse contexto. Em breve as postagens voltam a ser regulares, agora, escritas da Ilha do Amor. Peço também que estejam orando por mim diante dessas mudanças. Sou sincera em dizer que não estou preparada para nenhuma delas. Sei que é suficiente saber que Deus cuida de mim, e é nessa confiança que sigo.


Dolorosas Leituras, Importantes Lições

Nos últimos meses desse ano que está acabando, Powlison, Welch e Tripp, me fizeram companhia, por meio dos seus escritos. Juntos, eles me foram melhores do que as terapias receitadas pelo médico.

Com eles tenho aprendido verdades ao meu respeito e sobre a maneira como lido com as pessoas ao meu redor.  Tem sido um processo doloroso, no qual constantemente meu ego se sente profundamente desconfortável com algumas descobertas. Tento permanecer firme, pois sei que todo esse processo ajuda-me em meu objetivo de vida: caminhar humildemente, em silêncio, amando a Deus e servindo ao próximo. Embora, algumas pessoas nem mesmo tenham um objetivo de vida definido, eu procuro manter meu foco nesse, dando um passo de cada vez.

Dentre as muitas coisas que tenho aprendido com esses autores-amigos, destaco algumas:

  • Que o nosso pior inimigo está dentro de nós. Isso vem sendo dito sempre, mas poucas vezes nos damos conta dessa verdade.
  • O que as pessoas pensam, sentem e falam a respeito de nós não pode tomar uma proporção maior nem menor do que deve.
  • Somos especialistas em mascarar nossos defeitos e dificuldades.
  • Somos especialistas em nos esconder debaixo de nossas “boas” intenções.
  • Somos muito deficientes para ajudar as pessoas, mas é uma covardia se esconder atrás disso.
  • Aquele que ajuda, necessita de ajuda. Constantemente.
  • Na nossa cabeça, sempre merecemos alguma coisa.
  • “A palavra branda, desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”.
  • Há uma diferença grande entre conhecimento e mudança de atitude.
  • Precisamos investir mais tempo em ouvir, geralmente nos preocupamos mais em falar.
  • “Aonde está o teu tesouro, aí está teu coração.”
  • Aquilo que controla seu coração determinará o seu comportamento.
  • Nas palavras de Tripp: “Somos essencialmente incapazes de fazer o que é certo.”

Uma olhada ao redor da seção de mais vendidos numa livraria, mostra que aprendizados como esses acima não fazem sucesso. É escolher, entre leituras adocicadas e mascaradas sobre felicidade e autorrealização, ou encarar quem realmente somos.


Diga Não Porque Você Já Disse Sim

Sei que muitos me atirarão pedras depois desse post, porém não poderia deixar de publicá-lo.

Eu recebi esse vídeo em maio desse ano, e ele falou muito ao meu coração. Ele resgatou verdades bíblicas, que pelo pecado e pela idolatria do meu coração estavam apagadas. Decidi colocar o princípio em prática, durante todo o restante do ano, e algumas coisas melhoraram muito do ponto de vista físico, emocional e relacional.

Gostaria de dizer que continuo sendo cristã, reformada, conservadora, tradicional, cessacionista, etc, etc, etc. :p. Deixo claro que não concordo com alguns pressupostos de Rob Bell e não nego os perigos que a Igreja Emergente traz ao Cristianismo Histórico. Porém, toda verdade é Verdade de Deus, então seja edificado e diga não, porque você já disse sim.

Ps. Desconsiderem os erros de legenda.